O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou nesta quarta-feira (3) que a vacinação com a Pneumo 20 para crianças de até 5 anos deve começar na segunda quinzena de junho, nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). A nova vacina passa a integrar a rede pública e amplia a proteção contra doenças causadas pelo pneumococo.
A Pneumo 20 é uma vacina pneumocócica conjugada que protege contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por enfermidades como pneumonia, meningite, sepse e otite média. No Sistema Único de Saúde (SUS), ela substituirá a Pneumo 10, ampliando o número de sorotipos prevenidos.
Segundo o Ministério da Saúde, as primeiras 514 mil doses já começaram a ser distribuídas aos estados. A previsão do governo federal é disponibilizar mais de 6,1 milhões de doses ainda neste ano.
Na rede privada, a vacina já era oferecida desde o ano passado, com preço superior a R$ 500 por dose.
A imunização contra a doença pneumocócica faz parte do calendário infantil desde 2010, com a vacina Pneumo 10. Desde então, houve redução nos casos de doença pneumocócica invasiva e de meningite pneumocócica em crianças pequenas. Nos últimos anos, porém, os registros voltaram a subir.
Entre 2023 e 2025, o país contabilizou 4,6 mil casos de meningite pneumocócica e 1,4 mil mortes. Entre crianças com menos de 5 anos, foram 616 casos e 188 óbitos no período.
Dados do ministério indicam que quase 40% dos casos graves analisados entre 2018 e 2023 foram provocados por dois sorotipos que não eram cobertos pela Pneumo 10 e que agora passam a ser incluídos na nova formulação.
Durante a transição, o esquema vacinal infantil seguirá um modelo misto. A orientação será aplicar Pneumo 20 aos 2 meses, Pneumo 10 aos 4 meses e reforço com Pneumo 20 aos 12 meses, com intervalo mínimo de 60 dias entre a segunda dose e a dose de reforço. A Pneumo 20 será usada de forma exclusiva quando acabarem os estoques da vacina anterior.
A nova vacina também será destinada a outros públicos prioritários, como povos indígenas com mais de 5 anos sem histórico de vacinação com pneumocócica conjugada, idosos acamados ou institucionalizados com 60 anos ou mais e pessoas com condições clínicas especiais atendidas nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE).
O ministério informou ainda que o esquema básico infantil vem registrando aumento na cobertura nos últimos anos. A taxa passou de 90,01% em 2023 para 93,22% em 2024 e 93,45% em 2025. Em 2026, a cobertura parcial acumulada está em 86,33%.
A pasta também destacou que a inclusão da Pneumo 20 faz parte da ampliação da proteção contra doenças invasivas causadas por bactérias pneumocócicas, especialmente os sorotipos 3, 6A e 19A.




