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quinta-feira, junho 11, 2026

Semelhanças entre Brasil e África do Sul vão além das cores da bandeira

A África do Sul faz sua estreia na Copa do Mundo nesta quinta-feira (11), na abertura do torneio, contra o México. A partida será às 16h, na Cidade do México, capital do país que recebe a competição ao lado de Canadá e Estados Unidos.

A seleção sul-africana entra em campo vestindo verde e amarelo, cor que também identifica a equipe brasileira. A semelhança, porém, vai além do uniforme. Brasil e África do Sul mantêm relações próximas em temas políticos, econômicos e diplomáticos, com convergência em pautas internacionais, como a defesa da paz.

No futebol, os sul-africanos vêm sendo apontados como um time em evolução. Ex-treinador da equipe, Joel Santana avalia que o nível técnico da seleção cresceu nos últimos anos, após um período longo sem resultados expressivos.

Fora das quatro linhas, Brasil e África do Sul têm ampliado a cooperação. Em encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em março, em Brasília, Cyril Ramaphosa defendeu uma relação mais intensa entre os dois países, especialmente nas áreas econômica e comercial.

Os dois governos tratam de ampliar a parceria em setores como agricultura, pecuária, energia, mineração e defesa. O comércio bilateral, segundo Lula, está praticamente estagnado há quase duas décadas e movimenta cerca de US$ 2,3 bilhões por ano. O presidente brasileiro afirmou ainda que o volume poderia ser muito maior.

Atualmente, o Brasil exporta principalmente carnes de aves, açúcar e veículos rodoviários para o mercado sul-africano. Na direção contrária, compra prata, platina e outros minerais.

Em março, os dois países também firmaram um acordo para fortalecer a cooperação no turismo, com foco na ampliação da conectividade aérea e na divulgação de destinos. Depois, avançaram em parcerias técnicas na agropecuária, com ações voltadas ao combate à febre aftosa e ao reforço da vigilância sanitária animal.

Na visita de Estado ao Brasil, Ramaphosa também manifestou apoio à posição brasileira em favor de uma solução pacífica para os conflitos no Oriente Médio. Para especialistas, a postura sul-africana tem peso histórico por causa da trajetória do país após o apartheid, regime de segregação racial que durou cinco décadas.

Com a transição democrática liderada por Nelson Mandela nos anos 1990, a África do Sul passou por mudanças econômicas e institucionais, embora ainda enfrente desigualdades. Hoje, o país é a principal economia africana e voltou a se aproximar do Brasil nos anos 2000, em uma agenda que combina interesses comerciais e articulação política entre países do sul global.

As duas nações também mantêm cooperação em saúde, especialmente no enfrentamento do HIV-AIDS, além de iniciativas voltadas ao combate à pobreza, à defesa da soberania e ao desenvolvimento sustentável. Na COP de novembro de 2025, no Brasil, a África do Sul apoiou a proposta brasileira de criação do Fundo de Florestas Tropicais.

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