A Terceira Avaliação Global dos Oceanos, divulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU), aponta uma piora acelerada na saúde dos mares e reforça riscos ambientais, econômicos e sociais para o Brasil. O relatório reúne evidências de mudanças que já afetam o litoral, o clima e a biodiversidade marinha.
Um dos principais alertas é o avanço do degelo nas regiões polares, especialmente na Antártica. Nos últimos quatro anos, a taxa de elevação do nível do mar subiu mais de 50% e atingiu 4,3 milímetros por ano, segundo o documento.
O aumento preocupa porque o Brasil tem mais de 8 mil quilômetros de costa, com capitais e áreas urbanas expostas à erosão e a impactos diretos da subida do oceano. Em alguns trechos do litoral, esse processo já é observado.
O estudo também chama atenção para efeitos sobre o clima. A alteração na interação entre oceano e atmosfera interfere nas frentes frias que alcançam o país e pode afetar a distribuição de chuvas, com reflexos para a agricultura e para a ocorrência de eventos extremos.
A avaliação cita ainda a intensificação da poluição marinha. Em quatro anos, triplicou o número de espécies de animais do oceano com microplásticos no organismo. O relatório também identificou 56 substâncias farmacêuticas na água do mar, associadas ao descarte irregular e ao esgoto.
Outro ponto destacado é a necessidade de ampliar o investimento em pesquisa científica. A ONU afirma que o conhecimento sobre os oceanos é essencial para enfrentar a crise climática, proteger a segurança alimentar e orientar o uso sustentável de recursos marinhos.
O fundo do mar é apontado como uma área estratégica para novos estudos, com potencial para descoberta de matérias-primas, minerais raros e compostos que podem ser usados no desenvolvimento de medicamentos e tecnologias.




