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quarta-feira, junho 17, 2026

Acordo entre EUA e Irã promete encerrar a guerra, mas ainda deixa dúvidas em aberto

Autoridades dos Estados Unidos e do Irã afirmaram ter chegado a um entendimento para encerrar o conflito iniciado em fevereiro deste ano, mas ainda há incertezas sobre a implementação do acordo. Apesar do anúncio, pontos centrais seguem em aberto, e empresas de transporte marítimo avaliam que a confiança na região pode demorar semanas para ser restabelecida após a reabertura do Estreito de Ormuz.

O presidente norte-americano, Donald Trump, declarou nesta terça-feira que o pacto para interromper a guerra está concluído e já avançou para uma segunda etapa. Até o momento, porém, os detalhes não foram divulgados, e os dois países admitem que uma trégua permanente ainda precisa ser negociada.

Do lado iraniano, o presidente Masoud Pezeshkian tratou o acerto provisório como um avanço para a suspensão dos combates, mas indicou que a solução definitiva ainda não foi consolidada.

A proposta em discussão amplia por mais 60 dias o cessar-fogo anunciado em abril e prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã desde os ataques feitos pelos Estados Unidos e por Israel em fevereiro.

As negociações seguintes devem tratar de temas mais sensíveis, incluindo o futuro do programa nuclear iraniano. Segundo o chanceler Abbas Araqchi, a nova rodada está prevista para começar na Suíça na sexta-feira, após a assinatura formal do acordo-quadro.

Outros dois pontos que estiveram no centro da justificativa para a guerra — o apoio do Irã a grupos armados na região e o programa de mísseis do país — não devem integrar essa fase inicial das conversas.

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, e o principal negociador iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, devem participar da assinatura formal em Genebra, também na sexta-feira.

Os mercados reagiram ao anúncio com nova queda do petróleo, que atingiu o menor nível em três meses nesta terça-feira. Na véspera, os preços já haviam recuado quase 5% com a divulgação do acerto. Mesmo assim, representantes do setor alertam que a produção de petróleo e gás no Oriente Médio levará meses para voltar ao ritmo normal.

O conflito deixou ao menos 7 mil mortos, sobretudo no Irã e no Líbano, e provocou forte impacto sobre o mercado global de energia. O desfecho também cria pressões políticas para Trump dentro do próprio partido e aumenta a cobrança sobre o governo iraniano, que poderá enfrentar novos protestos se não aliviar a crise econômica agravada pela guerra.

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