O Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, o Hospital do Fundão, na zona norte do Rio de Janeiro, inaugurou neste sábado, 27, a primeira Unidade de Terapia Intensiva inteligente do Sistema Único de Saúde (SUS). A nova estrutura integra um conjunto de investimentos do Ministério da Saúde voltados à modernização da rede pública.
A UTI reúne tecnologias de monitoramento avançado, conectividade entre sistemas e recursos de inteligência artificial para cruzar dados clínicos, antecipar riscos e organizar prioridades de atendimento. As informações mais relevantes passam a ser exibidas diretamente no prontuário do paciente. O serviço também terá integração com ambulâncias 5G, permitindo o envio em tempo real de sinais vitais para agilizar a assistência antes da chegada ao hospital.
A unidade faz parte da Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes e Medicina de Alta Precisão do SUS, anunciada em novembro do ano passado. O plano do governo federal prevê a implantação de 14 UTIs inteligentes, com investimento total de R$ 180 milhões e 280 leitos no país. Na fase inicial, cada unidade terá 10 leitos.
Entre os hospitais contemplados estão unidades em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Recife, Fortaleza, Teresina, Belém, Curitiba, Porto Alegre, Dourados e Manaus. A expansão também inclui o uso de cirurgia robótica, medicina de precisão e análise de dados por inteligência artificial para ampliar a eficiência do sistema.
O Ministério da Saúde informou ainda que a rede prevê novos hospitais inteligentes em Amazonas, Distrito Federal, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco e Rio Grande do Sul. O primeiro lote de implantação será formado por dez leitos em cada uma dessas unidades.
Durante a agenda no hospital da UFRJ, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também participou da inauguração do primeiro acelerador linear da unidade, equipamento usado em radioterapia. A instalação custou R$ 3,4 milhões e deve reduzir o tempo dos procedimentos, além de permitir maior preservação de órgãos próximos ao tumor.
Segundo a pasta, o SUS vai receber 70 aceleradores lineares neste ano.
Outra frente do programa prevê a criação do primeiro hospital inteligente do país. O Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente, ligado ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, receberá R$ 4,8 bilhões para implantação e equipagem, além da modernização de seis hospitais de excelência do SUS e da criação de um centro de pesquisa translacional.
A nova unidade deve atender cerca de 20 mil pacientes por ano e contará com 800 leitos voltados a emergências de adultos e crianças, com atuação em áreas como neurologia, neurocirurgia, cardiologia e terapia intensiva. A previsão é de que o serviço comece a funcionar em 2027.
Os investimentos fazem parte do programa Agora Tem Especialistas, que reúne ações para reduzir filas e o tempo de espera por atendimento especializado no SUS. O financiamento inclui R$ 1,7 bilhão obtido junto ao Novo Banco de Desenvolvimento, o banco do Brics, com prazo de pagamento de 30 anos.




