Camelôs de diferentes regiões do Rio de Janeiro protestaram nesta quarta-feira (8) em frente à sede da prefeitura contra as medidas anunciadas para reforçar o ordenamento urbano na orla da zona sul e ampliar a fiscalização sobre o comércio irregular em áreas públicas.
A manifestação reuniu ambulantes que afirmam estar sendo impedidos de trabalhar por causa das ações de fiscalização. O grupo pediu abertura de negociação direta com o prefeito Eduardo Cavaliere.
O ato ocorreu um dia depois do anúncio do Programa Tolerância Zero contra a Exploração Irregular do Espaço Público. A medida prevê fiscalização permanente a partir de 16 de julho em Leme, Copacabana, Ipanema e Leblon. Segundo a prefeitura, o objetivo é desarticular estruturas ligadas ao crime organizado que exploram pontos de comércio em áreas públicas.
Durante o lançamento do programa, a administração municipal informou que a operação será contínua e baseada em inteligência, com integração entre a Secretaria Municipal de Ordem Pública, a Guarda Municipal, forças estaduais de segurança e o Centro de Operações e Resiliência.
A prefeitura diz ter identificado cerca de mil pontos de venda explorados ilegalmente nessas áreas e 22 depósitos clandestinos usados para abastecer a rede irregular. A estimativa oficial é de que essa estrutura movimente cerca de R$ 100 milhões por ano.
As medidas incluem fiscalização diária, apreensão de mercadorias sem comprovação de origem, remoção de estruturas irregulares, patrulhamento ostensivo e uso de drones e câmeras para monitoramento. O decreto também prevê apreensão de equipamentos e produtos sem documentação fiscal que comprove origem lícita.
Segundo o município, os comerciantes devidamente autorizados poderão continuar atuando normalmente. A gestão também afirma que pretende ampliar alternativas para a formalização de trabalhadores, além de encaminhá-los para cursos de qualificação e vagas de emprego.
Entre os manifestantes, ambulantes disseram que a categoria vem sendo associada de forma generalizada ao crime organizado e defenderam punição apenas para quem comete irregularidades. Trabalhadores que aguardam há anos autorização da prefeitura para atuar legalmente também participaram do protesto.
Uma das participantes relatou dificuldades para trabalhar na região da Lapa, onde ações de ordenamento começaram nas últimas semanas. Outro ambulante afirmou que espera regularização há mais de duas décadas em Copacabana. A coordenadora do Movimento Unido dos Camelôs também defendeu que a fiscalização seja acompanhada da regularização dos trabalhadores que aguardam autorização.
O grupo quer levar a pauta diretamente ao prefeito, em meio ao avanço das operações na orla e a preocupação de ambulantes com o impacto das novas regras sobre a atividade informal na cidade.




