O Pix entrou no foco do governo dos Estados Unidos em meio à decisão de Donald Trump de incluir o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos entre os argumentos usados para justificar uma tarifa de 25% contra o Brasil.
A discussão não se limita à concorrência com empresas norte-americanas de meios de pagamento, como Visa, Mastercard e WhatsApp Pay. O tema envolve também o controle sobre a infraestrutura financeira e a autonomia do Brasil em transações eletrônicas.
Criado e operado pelo Banco Central, o Pix ampliou o acesso da população ao sistema bancário e passou a substituir parte das operações antes feitas em dinheiro. Com isso, mais transações passaram a circular por contas bancárias e outros serviços financeiros.
A expansão do Pix ocorreu ao mesmo tempo em que o mercado de cartões continuou crescendo. Em 2025, os cartões movimentaram R$ 4,5 trilhões no país, alta de 10,1%, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).
Como os Estados Unidos mantêm superávit comercial com o Brasil, a aplicação de tarifas pode atingir também empresas norte-americanas que vendem ao mercado brasileiro. Ainda assim, a medida é vista dentro de uma estratégia mais ampla de pressão econômica internacional.
O Pix também passou a ser tratado como um instrumento de soberania financeira. Sistemas nacionais de pagamento reduzem a dependência de redes estrangeiras e podem limitar a influência de sanções aplicadas por outros países sobre instituições e indivíduos.
Esse ponto ganhou relevância diante de casos recentes de uso de bloqueios financeiros como instrumento de pressão internacional, incluindo sanções dos Estados Unidos contra autoridades estrangeiras e restrições econômicas impostas a Cuba.
O alcance internacional do modelo brasileiro também chama atenção. O Banco Central mantém acordos de cooperação técnica com 47 países para apoiar a criação de sistemas semelhantes ao Pix em outras nações.
A preocupação com a dependência de redes estrangeiras não é exclusiva do Brasil. A União Europeia anunciou o desenvolvimento do Euro Digital, sistema público de pagamentos eletrônicos inspirado em modelos de transferência instantânea, com projeto-piloto previsto para 2027.
A iniciativa europeia busca reduzir a dependência de plataformas de pagamento de fora do bloco, especialmente redes norte-americanas. O movimento ocorre em um cenário em que sistemas nacionais e regionais de pagamento ganham espaço e desafiam a predominância tradicional dos Estados Unidos no setor financeiro global.




