Brasil avalia oferta de PrEP injetável de longa duração pelo SUS
O Ministério da Saúde informou que está em análise a incorporação da PrEP injetável de longa duração ao Sistema Único de Saúde (SUS). A tecnologia, aplicada a cada dois meses, será avaliada em agosto pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).
O tema foi apresentado nesta segunda-feira (27), durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, realizada no Brasil pela primeira vez na América do Sul. O encontro reúne especialistas, gestores e representantes de governos para discutir ações de prevenção, diagnóstico e tratamento do HIV.
A PrEP é indicada para pessoas que não vivem com HIV, mas estão mais expostas ao risco de infecção. Atualmente, o SUS oferece a versão oral da profilaxia, com acompanhamento das equipes de saúde. Desde a inclusão dessa estratégia na rede pública, 356 mil pessoas iniciaram o uso da PrEP no país.
Além da formulação injetável, o Ministério da Saúde acompanha pesquisas e iniciativas voltadas a novas tecnologias de prevenção, incluindo medicamentos de ação prolongada desenvolvidos pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com instituições privadas.
A rede pública disponibiliza diferentes estratégias de prevenção ao HIV, como preservativos, gel lubrificante, PrEP, PEP, testagem rápida e autoteste. O SUS também oferece tratamento antirretroviral, acompanhamento clínico, exames laboratoriais e atendimento multiprofissional para pessoas vivendo com HIV.
Em dezembro de 2025, o Brasil recebeu certificação da Opas/OMS pela eliminação da transmissão vertical do HIV como problema de saúde pública. O país se tornou o único de dimensão continental a atingir esse resultado.
Para obter a certificação, o Brasil manteve a taxa de transmissão vertical abaixo de 2% e a incidência da infecção em crianças abaixo de 0,5 caso por mil nascidos vivos. O país também superou 95% de cobertura em pré-natal, testagem e tratamento de gestantes vivendo com HIV.
Segundo relatório da Unaids, as mortes relacionadas à aids caíram 57% desde 2010 nos continentes analisados. O total passou de 1,3 milhão de óbitos em 2010 para 570 mil em 2025.
No Brasil, dados do Ministério da Saúde indicam que foram registradas 9,1 mil mortes por aids em 2024. O número representa queda de 13% em relação ao ano anterior, quando houve mais de 10 mil óbitos.
Atualmente, 22% das pessoas diagnosticadas com HIV começam o tratamento no mesmo dia da confirmação. Mais da metade inicia a terapia antirretroviral em até 30 dias.




