Brasil rejeita extensão da emergência nacional dos Estados Unidos

**Brasil repudia prorrogação de emergência nacional dos EUA contra o país**

O governo brasileiro repudiou, nesta terça-feira (29), a decisão dos Estados Unidos de estender por mais um ano a declaração de emergência nacional relacionada ao Brasil.

Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, o Executivo afirmou que as justificativas apresentadas pela Casa Branca não têm fundamento e voltou a defender a soberania nacional e a independência entre os Poderes.

Segundo o governo brasileiro, a decisão norte-americana mantém acusações já contestadas anteriormente, incluindo a alegação de que o Brasil representaria risco à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos.

A manifestação também rejeita as acusações de violações à liberdade de expressão, aos direitos humanos e de suposta perseguição política contra um ex-presidente brasileiro, seus familiares e apoiadores.

De acordo com a Secom, esses pontos já foram discutidos em encontros entre autoridades dos dois países. O governo brasileiro reforçou ainda que o Poder Judiciário atua de forma independente e conforme a Constituição Federal.

A prorrogação foi anunciada pela Casa Branca na mesma data. A medida mantém em vigor a ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump em 30 de julho de 2025.

Após publicação no diário oficial do governo dos Estados Unidos e envio ao Congresso norte-americano, a declaração continuará válida pelo menos até 30 de julho de 2027.

Na justificativa, o governo dos Estados Unidos afirma que permanecem as condições que levaram à edição da ordem executiva. O documento cita políticas e ações do governo brasileiro que, na avaliação da Casa Branca, afetariam interesses norte-americanos.

O texto também menciona decisões do Supremo Tribunal Federal sobre remoção de conteúdos em plataformas digitais e prisões relacionadas a manifestações. As medidas são classificadas pelo governo norte-americano como restrições à liberdade de expressão.

A renovação ocorre em meio ao agravamento das relações entre Brasília e Washington desde julho de 2025. No período, a administração Trump adotou medidas contra o Brasil, incluindo investigações comerciais, tarifas sobre produtos brasileiros e críticas a decisões do STF envolvendo moderação de conteúdo e o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O governo brasileiro, por sua vez, ampliou as tratativas diplomáticas com autoridades dos Estados Unidos e contestou as tarifas na Organização Mundial do Comércio, alegando violação de regras internacionais.

Apesar das negociações, as medidas norte-americanas foram mantidas e ampliadas ao longo do último ano. A nota da Secom foi a primeira reação oficial do governo brasileiro após o anúncio da prorrogação da emergência nacional.

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