BID eleva para US$ 4 bilhões fundo de segurança para a América Latina

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) elevou de US$ 2,5 bilhões para US$ 4 bilhões o financiamento previsto para ações de segurança pública na América Latina e no Caribe entre 2026 e 2028. A mudança ocorreu após a procura dos países da região por recursos destinados ao combate à violência e ao crime organizado superar as expectativas da instituição.

A ampliação foi anunciada nesta quarta-feira (5), na abertura da Cúpula da Aliança para a Segurança, a Justiça e o Desenvolvimento, realizada no Ministério da Justiça e Segurança Pública, em Brasília.

A iniciativa já cumpriu, em um ano, quase 60% das metas inicialmente estabelecidas para um período de três anos. A segurança pública figura entre as principais preocupações dos governos latino-americanos e caribenhos.

A região concentra cerca de 8% da população mundial, mas responde por aproximadamente um terço dos homicídios registrados no planeta.

Durante o encontro, autoridades defenderam maior integração entre os países para enfrentar organizações criminosas com atuação transnacional. Entre as prioridades estão o intercâmbio de dados, o rastreamento de recursos financeiros e o enfraquecimento das estruturas econômicas que sustentam facções e redes ilegais.

A cúpula também formalizou a entrada da Interpol na Força-Tarefa de Resposta Rápida Contra a Violência e o Crime Organizado. O mecanismo oferece assistência técnica e apoio especializado a países que enfrentem crises de segurança ou ameaças emergenciais.

A parceria prevê missões técnicas, compartilhamento de conhecimento e medidas para reforçar a capacidade operacional das instituições da região.

No evento, o BID e o governo brasileiro assinaram um memorando de entendimento para ampliar a cooperação contra o crime organizado. O acordo prevê até R$ 5 bilhões em apoio técnico e financeiro ao Programa Brasil contra o Crime Organizado.

Os recursos deverão ser aplicados em investigações de homicídios, segurança no sistema prisional, combate à movimentação financeira de grupos criminosos e ações contra o tráfico de armas, munições e explosivos.

A Aliança para a Segurança, a Justiça e o Desenvolvimento reúne 23 países-membros e 14 parceiros estratégicos. O grupo atua na promoção de investimentos e políticas de prevenção à violência, fortalecimento institucional, modernização da Justiça e combate a mercados ilícitos.

O Brasil assumiu a presidência temporária da aliança pelos próximos 12 meses.

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