# Brasil celebra 50 anos da primeira medalha paralímpica conquistada em Toronto
O Brasil completou 50 anos de trajetória no movimento paralímpico desde a conquista de sua primeira medalha em Jogos Paralímpicos. O resultado veio em 6 de agosto de 1976, em Toronto, no Canadá, quando Robson Sampaio de Almeida e Luiz Carlos da Costa ganharam a prata no lawn bowls, modalidade semelhante à bocha que não integra mais o programa paralímpico.
As medalhas da dupla foram exibidas nesta quinta-feira (6) no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, durante uma homenagem à conquista histórica. Desde então, o país acumulou 462 presenças no pódio da principal competição do esporte adaptado.
Em 2024, nos Jogos Paralímpicos de Paris, na França, o Brasil terminou pela primeira vez entre os cinco melhores países do quadro geral, consolidando a evolução obtida nas últimas décadas.
Robson e Luiz Carlos viajaram inicialmente para disputar o basquete em cadeira de rodas. Naquele período, os atletas podiam participar de mais de uma modalidade e foram convidados a competir no lawn bowls. A dupla terminou em segundo lugar no Etobicoke Lawn Bowling Club, atrás dos australianos Eric Magennis e Bruce Thwaite. Os britânicos David Avis e Michael McCreadie ficaram com o bronze.
Robson tinha experiência com o boliche convencional antes de competir na modalidade adaptada. Luiz Carlos, conhecido como Curtinho, foi atendido pelo Clube do Otimismo, instituição fundada por Robson no Rio de Janeiro. Aos 79 anos, ele está em tratamento contra Alzheimer.
O Clube do Otimismo foi criado em 1958, após Robson ficar paraplégico em consequência de um acidente de trabalho em uma fábrica de papel nos Estados Unidos. Ele utilizou a indenização recebida para criar uma entidade voltada ao acolhimento e à reabilitação de pessoas com deficiência sem recursos.
Além do trabalho social, a instituição teve papel relevante no surgimento do esporte adaptado no país. Robson e Luiz Carlos integraram os primeiros times brasileiros de basquete em cadeira de rodas, e Luiz Carlos também auxiliava na manutenção e no reparo das cadeiras durante competições internacionais.
A estrutura do esporte paralímpico brasileiro passou por mudanças importantes a partir da década de 1990. O Comitê Paralímpico Brasileiro foi fundado em 1995 e, três anos depois, passou a integrar o Sistema Nacional do Desporto por meio da Lei Pelé.
A inclusão permitiu o acesso a recursos da Lei Agnelo Piva, criada em 2001. Atualmente, 2,7% da arrecadação das loterias federais é destinada ao financiamento esportivo, sendo 15% desse montante direcionados ao paradesporto e 85% ao Comitê Olímpico do Brasil.
Outro marco ocorreu em 2016, com a inauguração do Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, considerado um dos legados dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio. A estrutura contribuiu para a preparação de atletas de alto rendimento e oferece iniciação gratuita em modalidades adaptadas para jovens de 7 a 17 anos com deficiências física, visual ou intelectual.




