**Manifestação após operação policial interdita vias na região da Mangueira**
Um protesto interrompeu o trânsito em trechos da Avenida Rei Pelé e da Rua São Francisco Xavier, na região da Mangueira, Zona Norte do Rio, após uma operação da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) na Favela do Metrô.
Depois da saída dos agentes, manifestantes incendiaram pneus e contêineres de lixo para bloquear a Avenida Rei Pelé. O Corpo de Bombeiros foi acionado e utilizou água de diversas viaturas para conter as chamas.
Segundo a Polícia Civil, equipes da DRF foram alvo de disparos durante a ação em um ferro-velho localizado na Avenida Rei Pelé, próximo à Mangueira. Os tiros teriam sido feitos do alto da comunidade. A corporação informou que não houve revide policial.
O bloqueio provocou congestionamentos nas redondezas. No sentido Méier, houve lentidão e reflexos nos acessos pela Avenida Rei Pelé. Já no sentido Centro, o trânsito foi afetado na Rua São Francisco Xavier. Motoristas tentaram deixar a área durante a manifestação.
A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), próxima ao local, orientou a comunidade acadêmica a não se deslocar ao campus Maracanã naquele momento. Quem já estava na instituição foi orientado a permanecer no local.
Ônibus também foram afetados. De acordo com o Rio Ônibus, veículos tiveram as chaves retiradas e foram usados como barricadas na Rua São Francisco Xavier, no Maracanã. Ao menos 19 linhas tiveram alterações ou impactos nos itinerários.
Entre os coletivos utilizados no bloqueio estava um ônibus da linha 457, que liga Abolição, na Zona Norte, a Copacabana, na Zona Sul.
A operação policial tinha como alvo a comercialização clandestina de cabos e materiais metálicos. Durante a fiscalização em um ferro-velho na Rua São Francisco Xavier, cinco pessoas foram presas em flagrante por receptação qualificada.
A Polícia Civil informou que o estabelecimento recebia e revendia materiais furtados, especialmente de ocorrências registradas na Tijuca, no Grajaú e em Vila Isabel. O local também teria influência de traficantes ligados ao Morro da Mangueira.
No imóvel, os agentes encontraram cabos de cobre de empresas de telefonia já cortados, além de balança, computador, caixa registradora e dinheiro usado na compra dos materiais. A polícia também identificou a queima de cabos, prática que remove a cobertura dos fios e dificulta a identificação da origem dos produtos.
A fiscalização integra a Operação Caminhos do Cobre, iniciativa permanente da Polícia Civil contra furtos e receptação de cabos e materiais metálicos. O mesmo ferro-velho já era investigado havia meses e havia sido alvo de ações anteriores, incluindo uma operação em 3 de julho que resultou na prisão de cinco pessoas.
Desde setembro de 2024, a DRF e outras delegacias realizaram mais de 580 fiscalizações em ferros-velhos no estado. As ações resultaram em cerca de 270 prisões e na apreensão de aproximadamente 300 toneladas de fios de cobre e materiais metálicos. A polícia também pediu o bloqueio de cerca de R$ 240 milhões e aplicou R$ 75 milhões em multas.
A Polícia Militar enviou equipes do 3º BPM, do Méier, do 6º BPM, da Tijuca, e das Rondas Especiais e Controle de Multidão para a região. Após a intervenção, as vias foram liberadas, e o policiamento permaneceu reforçado na área.




