# Dívida dos EUA supera US$ 40 trilhões pela primeira vez
A dívida total do governo dos Estados Unidos ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 40 trilhões, segundo dados divulgados pelo Departamento do Tesouro. O montante alcançou US$ 40,047 trilhões na terça-feira (19), conforme o balanço diário de caixa e endividamento do órgão.
Do total, US$ 32,266 trilhões correspondem a títulos do Tesouro em poder do público. Outros US$ 7,782 trilhões são referentes a dívidas intragovernamentais, mantidas por fundos e órgãos federais.
O endividamento federal mais que dobrou em menos de dez anos. Em janeiro de 2017, quando Donald Trump iniciou seu primeiro mandato, a dívida dos EUA era de US$ 19,95 trilhões.
Cerca de um terço da expansão ocorreu durante a pandemia de Covid-19, período em que o governo ampliou os gastos para financiar medidas emergenciais adotadas nas administrações de Trump e de Joe Biden. O restante está relacionado a déficits recorrentes, cortes tributários e ao crescimento de despesas obrigatórias.
O Tesouro informou na semana passada que o déficit mensal de julho foi de US$ 432 bilhões, o quarto maior da história do país. Nos primeiros dez meses do ano fiscal de 2026, o déficit acumulado já superou o resultado de todo o ano fiscal anterior, mesmo com dois meses restantes para o encerramento do período.
A situação fiscal também tem repercutido no mercado de títulos públicos. Após um leilão de US$ 25 bilhões em papéis de 30 anos registrar o maior rendimento desde 2021, as taxas dos títulos de longo prazo chegaram aos níveis mais altos em quase duas décadas.
Diante da pressão sobre os rendimentos, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou a ampliação das operações de recompra de títulos com vencimento entre dez e 30 anos. O volume mínimo por operação passou para US$ 4 bilhões.
A demanda estrangeira por títulos do Tesouro também vem diminuindo ao longo do último ano. Investidores de fora dos Estados Unidos detêm quase um terço desses papéis, e a redução de sua participação pode aumentar a volatilidade do mercado, ao transferir uma parcela maior das emissões para compradores mais sensíveis às taxas de retorno.
A dívida cresceu US$ 7,8 trilhões durante o primeiro mandato de Trump, sendo mais da metade desse avanço concentrada nos últimos nove meses da gestão, durante a resposta à pandemia. Desde o início de seu segundo mandato, em janeiro de 2025, o endividamento aumentou outros US$ 3,8 trilhões.
No governo Biden, a dívida avançou US$ 8,4 trilhões. Além das despesas relacionadas à recuperação pós-pandemia, o período incluiu investimentos em infraestrutura, incentivos à energia limpa e outros programas federais.
Projeções do Escritório de Orçamento do Congresso indicam que a lei conhecida como “One Big Beautiful Bill”, aprovada no segundo mandato de Trump, poderá acrescentar US$ 4,7 trilhões à dívida federal.
Os Estados Unidos gastam cerca de US$ 7 trilhões por ano. Aproximadamente 60% desse valor é destinado a despesas obrigatórias, como Previdência Social, Medicare, Medicaid e assistência a veteranos.
Os juros da dívida representam atualmente US$ 1,1 trilhão do orçamento. No ano fiscal de 2025, o custo para administrar o endividamento superou, pela primeira vez, as despesas destinadas ao Pentágono. Nos dez primeiros meses do ano fiscal de 2026, os gastos com juros ultrapassaram os recursos destinados ao Medicare e se tornaram a segunda maior despesa federal, atrás apenas da Previdência Social.




