**Conflito entre Irã e EUA se intensifica com ataques no Golfo e contra bases militares**
O Irã e os Estados Unidos ampliaram nesta quarta-feira (2) a escalada militar no Oriente Médio, com ataques norte-americanos contra alvos na costa sul iraniana e disparos de Teerã direcionados a instalações dos EUA em países da região.
O novo confronto é o mais intenso entre os dois países desde julho. Washington indicou a possibilidade de novas ofensivas, enquanto o governo iraniano acusou os EUA de atingir uma celebração de casamento na cidade de Sirik, no litoral do Estreito de Ormuz.
Segundo o Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos, os ataques realizados na terça-feira (1º) tiveram como alvos sistemas de defesa aérea da Guarda Revolucionária Islâmica, radares, estruturas marítimas, equipamentos de instalação de minas e redes de comunicação.
Veículos de comunicação iranianos relataram bombardeios em diferentes pontos próximos ao Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo. Teerã vem ameaçando embarcações que tentem atravessar a passagem sem autorização iraniana.
Em resposta, o Irã informou ter atacado posições norte-americanas no Bahrein, na Jordânia, no Kuwait e no Iraque. A Guarda Revolucionária declarou que a operação tem como objetivo retirar as forças dos EUA de suas bases no Oriente Médio.
Na Jordânia, as Forças Armadas locais informaram que 13 mísseis foram lançados contra o país. Dez deles teriam sido interceptados, enquanto outros três caíram em áreas isoladas. O Irã alegou ter provocado mortes entre militares dos EUA, mas autoridades norte-americanas disseram que as avaliações iniciais não apontavam vítimas.
No Kuwait, Teerã afirmou ter usado mísseis e drones contra a Base Aérea Ali Al Salem e contra a residência de um comandante dos Estados Unidos. O Corpo de Bombeiros kuwaitiano confirmou que um drone iraniano atingiu um complexo residencial, provocando um incêndio e danos materiais, sem registro de feridos ou mortos.
O Bahrein, onde fica o comando regional da Marinha dos EUA, informou que interceptou e destruiu drones iranianos. Já o Catar, sede da maior base aérea norte-americana no Golfo, atribuiu ao Irã a responsabilidade legal pelos ataques e por seus desdobramentos.
A Guarda Revolucionária também declarou ter realizado uma ofensiva combinada de drones e mísseis contra bases dos EUA em Erbil, no norte do Iraque. Nem o governo iraquiano nem autoridades norte-americanas confirmaram essa ação.
O Irã ainda afirmou que dois navios petroleiros atingiram minas enquanto cruzavam o Estreito de Ormuz por uma rota conduzida por agentes dos EUA. Teerã sustenta que a passagem foi fechada.
Os ataques elevaram a tensão nos mercados internacionais. Bolsas da Ásia e da Europa registraram queda, enquanto o petróleo voltou a alcançar patamares não vistos desde julho. A alta da energia aumenta a preocupação com a inflação global, em meio a uma onda de venda de títulos.
### Mortes em Sirik
Autoridades iranianas contabilizaram pelo menos 12 mortes durante a noite dos bombardeios norte-americanos. Cinco das vítimas, entre elas uma criança de quatro anos, teriam morrido em uma casa onde ocorria uma festa de casamento em Sirik.
A imprensa estatal iraniana informou que até 68 pessoas ficaram feridas no local e divulgou imagens de crianças hospitalizadas. As informações não puderam ser verificadas de forma independente, e os Estados Unidos não comentaram a acusação.
Imagens divulgadas por uma agência iraniana mostraram destroços espalhados pelos cômodos e pelo pátio de uma residência apontada como o local atingido.
A atual troca de ataques representa a mais grave escalada desde julho, quando o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, interrompeu duas semanas de bombardeios contra o Irã após alertas militares sobre o desgaste das operações e a redução de alvos considerados relevantes.




