# CVM aplica R$ 201 milhões em multas por fraude envolvendo fundo Brazil Realty
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) condenou, por decisão unânime nesta terça-feira (8), 16 acusados — entre pessoas físicas e empresas — por irregularidades relacionadas ao fundo imobiliário Brazil Realty. As multas somadas chegam a R$ 201 milhões.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro recebeu penalidade de R$ 20 milhões. O Banco Master foi condenado a pagar R$ 12,5 milhões. As sanções individuais definidas pela autarquia variam de R$ 5 milhões a R$ 24 milhões.
O processo, aberto em 2020, investigou a emissão e a distribuição de cotas do fundo, além de negociações posteriores no mercado secundário. A CVM identificou uso de ativos com valores acima dos considerados adequados e operações que, segundo a autarquia, criaram liquidez artificial para os papéis.
A terceira emissão de cotas do Brazil Realty, iniciada em 2018, movimentou R$ 139,1 milhões, principalmente por meio da integralização de bens físicos. Parte dos imóveis e demais ativos entregues ao fundo apresentava avaliação superior à aceita pela CVM. Também foram identificadas falhas na documentação de algumas integralizações.
Após a emissão, empresas relacionadas aos envolvidos realizaram operações com as cotas no mercado secundário. A Entre Investimentos, por exemplo, fez 177 transações, com cerca de R$ 351 milhões em compras e R$ 358 milhões em vendas.
A CVM calculou prejuízos realizados de R$ 5,8 milhões por fundos que negociaram os ativos. Entre os investidores afetados estavam fundos com participação de regimes próprios de previdência de servidores públicos.
Além de Vorcaro e do Banco Master, foram condenados Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-banqueiro, Felipe Cançado Vorcaro, primo dele, a Viking Participações, a Entre Investimentos e outros envolvidos nas operações. Três ex-diretores da Sefer Investimentos foram absolvidos.
O Banco Master participou da terceira emissão do fundo com aproximadamente R$ 16,8 milhões em dinheiro. Nas negociações posteriores das cotas, a CVM estimou ganho de cerca de R$ 10,8 milhões para a instituição.
A Viking Participações teve resultado positivo estimado em R$ 837 mil. Já as operações atribuídas diretamente a Daniel Vorcaro apresentaram resultado negativo aproximado de R$ 6,8 milhões.
Os condenados ainda podem recorrer ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional. O processo administrativo da CVM não interfere nas investigações criminais conduzidas pela Polícia Federal envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro.
Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, durante a Operação Compliance Zero, quando o Banco Central determinou a liquidação do Banco Master. Ele voltou a ser preso em março de 2026 em outra apuração.




