# Mato Grosso do Sul promove campanha sobre riscos do álcool na gestação
Mato Grosso do Sul inicia, na segunda semana de setembro, a Campanha Gravidez Segura e Prevenção à Síndrome Alcoólica Fetal (SAF). A iniciativa é prevista pela Lei Estadual nº 6.220, de 2024, e busca ampliar a conscientização sobre os efeitos do consumo de bebidas alcoólicas durante a gravidez.
A orientação é de que não há dose segura de álcool para gestantes. A ingestão da substância pode provocar alterações no desenvolvimento do feto, além de elevar os riscos de abortamento, malformações e outras complicações durante a gestação e após o nascimento.
Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que o álcool está relacionado a cerca de 3,3 milhões de mortes por ano no mundo. Estudos reunidos pela Fundação Oswaldo Cruz classificam os impactos da exposição pré-natal ao álcool como um problema silencioso de saúde pública.
Quando consumido pela gestante, o álcool é absorvido pela corrente sanguínea, alcança o líquido amniótico e pode atingir a circulação fetal. Entre os possíveis efeitos estão a redução do fluxo sanguíneo na placenta, restrição do crescimento intrauterino, asfixia perinatal e alterações genéticas.
O período inicial da gravidez é especialmente sensível, pois coincide com a formação de órgãos e sistemas do bebê. O sistema nervoso central começa a se desenvolver por volta da terceira semana de gestação; os olhos, a partir da quarta semana; o coração, entre a terceira e a sexta semana; e os membros superiores e inferiores, entre a quarta e a oitava semana. A formação da genitália externa ocorre aproximadamente na sétima semana.
Os impactos do álcool podem variar de acordo com a fase gestacional. Da fertilização até a quarta semana, a exposição pode resultar em abortamento. Até a oitava semana, durante o período embrionário, pode comprometer processos celulares e provocar alterações estruturais. Entre a nona e a 40ª semana, os riscos incluem mudanças no sistema nervoso central, malformações cardíacas e renais e dificuldades neurocomportamentais.
A Síndrome Alcoólica Fetal é uma condição permanente e sem cura, associada a consequências físicas e neurológicas, incluindo casos de microcefalia. A prevenção depende da interrupção total do consumo de álcool durante toda a gravidez.
Em Mato Grosso do Sul, pessoas que precisam de tratamento para dependência alcoólica podem procurar gratuitamente os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Também há atendimento em clínicas particulares e instituições de reabilitação mantidas por entidades filantrópicas, organizações não governamentais e igrejas.
Familiares e dependentes podem buscar suporte em grupos de apoio como Al-Anon, Nar-Anon e Amor-Exigente.




