**Trump ameaça usar força militar na América Latina durante Assembleia da ONU**
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (22), durante discurso na abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, que poderá recorrer ao poder militar para defender interesses estratégicos norte-americanos na América Latina e no Caribe.
A fala, com duração de quase 40 minutos, ocorreu após o pronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, o líder brasileiro abordou pressões externas sobre países latino-americanos e caribenhos, além de citar episódios envolvendo Venezuela, Haiti e Cuba.
Trump mencionou a Venezuela ao defender ações dos Estados Unidos no país e ao celebrar um acordo relacionado ao setor petrolífero venezuelano. Segundo o discurso, o entendimento asseguraria a uma empresa vinculada ao Pentágono participação de até 21% na exploração do petróleo da Venezuela.
O presidente norte-americano também fez referência à operação que levou à prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Os Estados Unidos haviam justificado a medida com acusações de envolvimento do governo de Caracas com o narcotráfico.
Após a detenção de Maduro, o Departamento de Justiça norte-americano retirou a acusação de que ele comandaria o chamado Cartel de Los Soles, organização cuja existência é alvo de controvérsia entre especialistas. Na semana anterior ao discurso, Washington também retirou a Venezuela de uma lista de países considerados insuficientes no combate ao tráfico de drogas, da qual o país fazia parte desde 2005.
Trump voltou a direcionar críticas a Cuba durante sua participação na ONU. A delegação cubana deixou o plenário enquanto o presidente dos Estados Unidos discursava.
Ao tratar do narcotráfico, o chefe da Casa Branca comparou cartéis latino-americanos ao Estado Islâmico, grupo extremista que surgiu no Oriente Médio. Ele afirmou ter mobilizado as Forças Armadas dos Estados Unidos contra essas organizações.
A comparação entre cartéis e grupos terroristas tem sido utilizada por integrantes do governo norte-americano ao discutir possíveis operações militares na região. Analistas avaliam que esse tipo de argumento pode servir de base para ampliar a interferência de Washington em assuntos internos de países latino-americanos.
O México também foi citado por Trump. Apesar de mencionar a relação com o governo da presidente Claudia Sheinbaum, ele associou o país à violência provocada por organizações criminosas e cobrou maior controle territorial contra os cartéis.
Sheinbaum tem criticado iniciativas dos Estados Unidos que considera interferências nos assuntos internos mexicanos e sustenta que o combate ao crime organizado não deve justificar ações estrangeiras no país.




