# Proposta de corte de gastos de Flávio Bolsonaro põe aposentadorias em debate
A promessa de Flávio Bolsonaro (PL) de reduzir despesas públicas, com inspiração no ajuste fiscal adotado por Javier Milei na Argentina, abriu um debate sobre quais gastos poderiam ser atingidos. O candidato ainda não apresentou detalhes dos cortes. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobra esclarecimentos, enquanto Flávio nega que pretenda fazer um ajuste nas aposentadorias ou nos programas sociais.
Uma das medidas defendidas por agentes do mercado financeiro é desvincular o reajuste das aposentadorias do salário mínimo. Nesse caso, os benefícios passariam a ser corrigidos apenas pela inflação, sem aumento real. Hoje, a regra do mínimo permite ganhos de até 2,5% acima da inflação.
Na Argentina, o governo Milei encerrou, em março de 2025, a moratória previdenciária. O mecanismo permitia a trabalhadores que já tinham a idade mínima para se aposentar regularizar períodos sem contribuição e completar os 30 anos exigidos. Segundo dados oficiais, o número de pessoas que ingressaram na Previdência caiu de 213,9 mil no primeiro semestre de 2024 para 99,6 mil no mesmo período de 2026, uma redução de 53%.
O governo argentino também mudou, em março de 2024, a fórmula de reajuste dos benefícios, que passaram a ser corrigidos mensalmente pela inflação. A regra anterior combinava a variação dos salários e a arrecadação previdenciária.
Um cálculo do Centro de Economia Política Argentina aponta que, em junho de 2026, a aposentadoria mínima sem bônus era de 403.327 pesos. Pela fórmula anterior, o valor estimado seria de 490.621 pesos, cerca de 21,6% maior.
Outra mudança restringiu o acesso gratuito a medicamentos pelo sistema público destinado a aposentados e pensionistas. Desde dezembro de 2024, o benefício está limitado a quem recebe até 1,5 vez o valor da aposentadoria mínima.
O Congresso argentino aprovou três projetos para elevar os benefícios — um em 2024 e dois em 2025 —, mas todos foram vetados integralmente por Milei sob a justificativa de falta de recursos.
Após reajuste de 1,66% em outubro, a aposentadoria mínima argentina chegou a 505.748,51 pesos, já incluído um bônus fixo de 70 mil pesos para quem recebe os menores valores. A quantia equivalia a cerca de R$ 1.662. Segundo a organização Espaço Gerontovida, o benefício cobria aproximadamente um quarto das necessidades básicas mensais de uma pessoa idosa no país.




