Consultas por lesões pré-cancerígenas diminuem após vacinação contra o HPV

# Consultas por lesões pré-cancerígenas caem quase 78% entre adolescentes após vacinação contra HPV

O número de primeiras consultas no Sistema Único de Saúde (SUS) por lesões pré-cancerígenas no colo do útero caiu quase 78% entre adolescentes de 15 a 19 anos após a inclusão da vacina contra o HPV no calendário público. Foram 603 atendimentos em 2015 e 136 em 2023, segundo estudo publicado na revista científica *Human Vaccines & Immunotherapeutics*.

A taxa passou de 7,1 para 1,8 consulta por 100 mil adolescentes no mesmo período. Em 2011, antes do início da vacinação, haviam sido registrados 474 atendimentos; em 2019, foram 299. Entre as faixas etárias analisadas, a de 15 a 19 anos apresentou a queda mais acentuada.

Pesquisadores da farmacêutica MSD utilizaram registros de primeiras consultas do Sistema de Informações Ambulatoriais de Saúde. O levantamento considerou diagnósticos específicos de lesões de alto grau acompanhados de pelo menos um procedimento relacionado.

No mesmo intervalo em que caíram as consultas por essas lesões, a procura inicial por atendimento devido a outras infecções sexualmente transmissíveis aumentou entre adolescentes de 15 a 19 anos. A taxa subiu de 1,7 por 100 mil em 2015 para 10,8 em 2023.

O estudo também estimou o possível efeito da vacinação entre 2011 e 2019. Nesse período, houve 2.620 primeiras consultas por lesões de alto grau entre adolescentes. Pela projeção baseada na tendência anterior à vacinação, o total poderia ter chegado a 7.688.

O SUS oferece a vacina contra o HPV para meninas desde 2014 e incluiu meninos em 2017. Atualmente, a imunização de rotina abrange crianças e adolescentes de 9 a 14 anos. O Ministério da Saúde também promove campanhas para alcançar jovens de até 19 anos que não receberam a vacina e disponibiliza o imunizante a determinados grupos mais vulneráveis.

O HPV é a principal causa do câncer de colo do útero, que pode se desenvolver a partir de lesões não tratadas. No Brasil, a doença é o terceiro tipo de câncer mais frequente entre mulheres, com cerca de 19 mil novos casos e 7 mil mortes por ano. Além da vacinação, exames preventivos e o tratamento de lesões são medidas importantes para evitar a progressão da doença.

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