Negacionismo impulsiona casos de sarampo nos EUA e aumenta risco para o Brasil

# Surto de sarampo nos EUA aumenta pressão sobre a vigilância no Brasil

Os Estados Unidos registram o pior surto de sarampo em mais de três décadas. Neste ano, foram confirmados mais de 4,4 mil casos e três mortes. Entre as pessoas infectadas, 98% não estavam completamente vacinadas.

O avanço da doença ocorre em meio a mudanças nas recomendações de vacinação do país. Em agosto, o governo americano reduziu de 17 para 11 o número de imunizantes indicados para todas as crianças. O presidente Donald Trump também determinou que a tríplice viral, usada contra sarampo, caxumba e rubéola, fosse substituída por três vacinas aplicadas separadamente. Esses imunizantes individuais, porém, não são fabricados há quase 20 anos.

No Brasil, foram registrados 61 casos de sarampo neste ano, a maioria importada. Como não há transmissão sustentada da doença no país desde 2024, o Brasil mantém a certificação de área livre do sarampo.

O certificado havia sido obtido em 2016 e perdido em 2019, após a reintrodução do vírus na região Norte e sua disseminação pelo país. Naquele período, São Paulo enfrentou um surto com 19 mil casos. A certificação foi recuperada em 2024.

A cobertura da tríplice viral melhorou desde então, embora a segunda dose permaneça abaixo de 95%. Em 2023, os índices eram de 88% para a primeira dose e 66% para a segunda. Em 2024, chegaram a 96% e 78%. Os dados preliminares deste ano apontam 95% e 80%, respectivamente.

Nas Américas, os registros de sarampo já ultrapassam 56 mil casos e somam pelo menos 80 mortes, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde. Para conter a transmissão no Brasil, as equipes de saúde investigam as suspeitas, isolam pacientes, acompanham seus contatos e reforçam a vacinação nas comunidades afetadas.

São Paulo, que concentra a maior parte dos casos brasileiros, aplicou quase 4 milhões de doses extras neste ano. No Amazonas, foram administradas quase 192 mil doses; o estado contabilizou 17 casos confirmados, com registros em setembro e outubro.

Outra mudança adotada pelos Estados Unidos restringiu a recomendação da vacina contra a hepatite B ao nascer. Desde agosto, ela deixou de ser indicada a todos os bebês americanos e passou a depender de condições de alto risco ou de decisão conjunta entre médicos e famílias.

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