# Planos de Lula e Flávio Bolsonaro divergem sobre papel do Estado
Os programas de governo de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro apresentam propostas distintas para a administração pública. No segundo turno marcado para domingo (25), os eleitores escolherão entre planos que diferem, sobretudo, na abordagem das privatizações e do tamanho da estrutura federal.
Candidato à reeleição, Lula propõe melhorar a eficiência dos serviços públicos e o controle dos gastos. Seu plano prevê ampliar a transparência, acompanhar os resultados das políticas públicas e expandir o atendimento digital, inclusive por meio do Gov.br, plataforma que reúne mais de 5 mil serviços federais.
Na área econômica, o programa se opõe à privatização de empresas como Petrobras, Embrapa e Correios. Em vez da venda dessas companhias, prevê sua recuperação financeira e parcerias com o setor privado. Também propõe ampliar o Repetro, regime especial voltado à cadeia de petróleo e gás, e adaptar suas regras às metas de descarbonização. Para a Petrobras, o plano inclui investimentos em fontes de energia de baixo carbono.
Flávio Bolsonaro também defende a ampliação dos serviços digitais e propõe mecanismos de transparência e avaliação de políticas públicas, incluindo programas de transferência de renda. Seu plano, porém, prevê uma redução da estrutura administrativa, com reforma, diminuição do número de ministérios, corte de cargos comissionados e limitação de despesas operacionais.
O programa ainda propõe rever regras infralegais nas áreas trabalhista, tributária e previdenciária e retomar o Programa Nacional de Desestatização. A venda de ativos estatais considerados não estratégicos é apresentada como forma de atrair investimentos privados e reduzir a dívida pública. Para a direção de estatais e agências reguladoras, o documento prevê critérios técnicos e a aplicação das regras da Lei das Estatais de 2016.
As propostas refletem diferenças em relação às gestões anteriores. Durante o governo Jair Bolsonaro, cerca de 76 empresas públicas, entre subsidiárias e companhias de estrutura única, foram privatizadas. A operação de maior destaque foi a da Eletrobras, em junho de 2022, por R$ 33,7 bilhões. Também foram concluídas vendas de ativos como BR Distribuidora, Liquigás, Companhia Docas do Espírito Santo e Refinaria Landulpho Alves.
Petrobras, Correios, Casa da Moeda e Companhia Nacional de Abastecimento estiveram entre as empresas consideradas para desestatização naquele período, mas não foram privatizadas. Nas gestões de Lula, a participação privada em infraestrutura ocorreu principalmente por meio de concessões e parcerias público-privadas. Nesse modelo, a administração de um serviço ou bem é transferida por prazo determinado, sem a venda definitiva do ativo.




