Anistia Internacional levará à ONU denúncia contra Milei por ataques a jornalistas

**Anistia Internacional levará ataques de Milei à imprensa à ONU e à CIDH**

A Anistia Internacional anunciou que denunciará o presidente da Argentina, Javier Milei, à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) por ataques a jornalistas. Na última semana, o presidente insultou profissionais que haviam publicado investigações sobre ele e fez uma referência à possibilidade de queimá-los em uma fogueira.

As declarações ocorreram após a Justiça argentina arquivar, na sexta-feira (23), o caso conhecido como “criptogate”. A investigação, iniciada em fevereiro de 2025, examinava suspeitas de irregularidades ligadas à criação da criptomoeda $Libra e envolvia Milei, sua irmã Karina e outras pessoas. O presidente havia divulgado o ativo em suas redes sociais. O juiz federal Marcelo Martínez De Giorgi concluiu que não houve crime.

Milei dirigiu os ataques a Hugo Alconada Mon, Carlos Pagni, Paulino Rodrígues, Natalia Volosin e Luis Novaresio. Também voltou a criticar jornalistas em uma publicação na rede social X.

A Anistia informou que apresentará o episódio às instâncias internacionais como parte de seu acompanhamento da liberdade de expressão na Argentina. A entidade citou dados do Fórum de Jornalismo Argentino que registram 278 ataques a jornalistas em 2025, alta de 55% em relação a 2024 e o maior total desde o início da série, em 2008. Segundo o levantamento, Milei foi identificado como autor de 119 episódios.

Em novembro de 2025, a Anistia e outras organizações participaram de uma audiência da CIDH sobre a situação da imprensa argentina. A comissão solicitou informações ao governo e manifestou interesse em visitar o país.

A Federação Argentina de Trabalhadores de Imprensa informou que se juntará à representação. A Federação Internacional dos Jornalistas e o Sindicato de Imprensa de Buenos Aires também repudiaram os ataques.

No dia 12, o jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr., que cobre a política argentina, foi impedido de entrar no país ao desembarcar em Buenos Aires. Autoridades migratórias cancelaram sua residência permanente e proibiram seu reingresso por cinco anos.

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