Entregadores protestam contra nova modalidade de trabalho imposta pelo iFood

Um grupo de entregadores por aplicativo realizou um protesto nesta sexta-feira (28) na Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, contra o novo sistema do iFood chamado +Entregas. Os manifestantes pediram que a empresa reveja a modalidade.

Os trabalhadores afirmaram que o modelo restringe a jornada, altera o mapa de entregas, gera conflitos entre entregadores e reduz o valor das corridas. Entre as reivindicações estava o aumento da taxa mínima paga pelo iFood, de R$ 7 para R$ 10.

O +Entregas permite ao entregador agendar períodos de três horas em uma região específica. Segundo a plataforma, o profissional recebe um valor fixo por hora disponível e um adicional por cada entrega concluída. Na modalidade, o entregador pode ter no máximo duas rotas canceladas ou rejeitadas no período agendado.

A empresa também diz que o sistema oferece prioridade no recebimento de pedidos para quem participa do +Entregas, possibilita otimização de rotas e maior controle da jornada. O iFood informa ainda que a implantação é gradual, que a adesão é opcional e que monitora resultados para avaliar a competitividade e eficiência do modelo.

No ato, os entregadores criticaram a transição do antigo modelo de operador logístico (OL) para o formato de franquia de serviço logístico. No modelo OL, a rotina e pagamentos eram administrados por terceirizadas, e os entregadores trabalhavam como microempreendedores individuais (MEI).

Atualmente, o iFood afirma não operar mais com o modelo de OL e passou a utilizar a EntreGô, franqueadora de serviços logísticos do grupo. Para participar da franquia, os entregadores precisam abrir um CNPJ e se vincular à EntreGô como MEI, conforme a empresa.

Além da opção de franquia, permanece a modalidade independente, conhecida como “nuvem”, em que o profissional se cadastra diretamente na plataforma e define horários, região e pedidos por conta própria.

Os manifestantes também relataram dificuldades relacionadas à ausência de benefícios trabalhistas e ao acesso a mecanismos de proteção social, como o INSS, em razão da condição de trabalho como MEI ou autônomo.

Em nota, o iFood declarou que respeita o direito à manifestação pacífica e reiterou que o +Entregas foi desenvolvido como alternativa para quem prefere receber por período trabalhado, com rotas menores e concentradas em áreas escolhidas pelo entregador. A empresa informou que continuará acompanhando o desempenho do modelo e coletando sugestões.

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