O governo prevê que o salário mínimo será de R$ 1.621 a partir de janeiro de 2026, segundo divulgação do Ministério do Planejamento e Orçamento. O valor representa um aumento real — isto é, acima da inflação acumulada em 2025 — de cerca de 2,6% em relação ao piso vigente.
Desde janeiro de 2023, esse será o quarto reajuste real consecutivo, totalizando um ganho acumulado de 11,5% acima da inflação do período. Os reajustes seguem a fórmula adotada em 2007: crescimento do PIB (dois anos anteriores) mais a inflação do ano imediatamente anterior.
Para 2026, a componente do PIB considerada é a taxa de 2024, de 3,4%. A inflação a ser incorporada é a de 2025, que até novembro acumulava 4,46% em 12 meses. Pelo arcabouço fiscal em vigor desde 2023, a parcela do crescimento do PIB incorporada ao mínimo é limitada a 2,5%.
A adoção sistemática da regra interrompeu um período de estagnação do piso salarial, iniciado em 2017 e estendido até 2022, conhecido na literatura como fase do “menor abandonado”. A retomada da política de valorização permanente teve início em 2023.
Histórico
O salário mínimo completará 90 anos em 14 de janeiro de 2026, data do decreto assinado por Getúlio Vargas que instituiu o piso nacional. O pagamento efetivo só começou em maio de 1940, após discussões em comissões que envolveram Executivo, empresários e sindicatos. Até 1984 vigoraram valores distintos por unidade federativa; a unificação nacional só foi estabelecida naquele ano.
A ideia do salário mínimo já constava de recomendações internacionais: em 1928 a Organização Internacional do Trabalho aprovou a Convenção 26, incentivando países-membros a adotarem legislação sobre piso salarial. No Brasil, mobilizações trabalhistas anteriores, como a Greve Geral de 1917, pressionaram por aumentos salariais.
Anos seguintes
Ao longo do século XX, o piso sofreu períodos de reajustes e perdas de poder de compra. Houve aumentos em 1943, 1951, 1953 e um reajuste expressivo em 1954, quando o valor foi dobrado. As disputas em torno dos reajustes envolveram greves e pressões sociais, e também resistência de setores empresariais e da imprensa.
Nas décadas seguintes, o salário mínimo enfrentou erosão frente à inflação em vários períodos, com recuperação intercalada. Entre 1968 e 1973, embora o país registrasse forte crescimento médio do PIB, o poder de compra do mínimo permaneceu comprometido. Após o controle inflacionário do Plano Real, iniciado na década de 1990, o salário mínimo passou por um ciclo de recuperação a partir de 1995.
Fórmula e institucionalização
Nos anos 2000, a agenda de valorização do piso ganhou força. A partir de mobilizações e negociações entre centrais sindicais, governo e especialistas do Dieese, foi construída a fórmula que combina crescimento do PIB e inflação. A prática começou em 2007 e foi consolidada em lei em 2011. Também passou a vigorar a antecipação do reajuste para 1º de janeiro, garantindo recursos adicionais no início do ano.
Entre 2017 e 2022, a aplicação da regra foi interrompida, levando à estagnação do piso. A partir de 2023 a política voltou a ser adotada, com correções que resultaram nos reajustes reais acumulados até o presente.
Impactos e perspectivas
O salário mínimo serve como referência para reajustes em categorias profissionais e para a correção de pisos previdenciários. Sua combinação com políticas de transferência e medidas tributárias pode influenciar a renda média e os indicadores de pobreza no longo prazo. Ao mesmo tempo, a vinculação a restrições do arcabouço fiscal impõe limites ao repasse integral de ganhos econômicos ao piso salarial.




