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domingo, março 15, 2026

Lula afirma que acordo UE-Mercosul será assinado apesar da oposição francesa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou neste sábado (20) o adiamento, para janeiro, da assinatura do acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul, cuja cerimônia estava prevista para ocorrer no mesmo dia.

A informação foi dada na abertura da Cúpula do Mercosul, em Foz do Iguaçu, evento que também marca o fim da presidência pro tempore do Brasil no bloco. A condução da presidência passará ao Paraguai ao longo do próximo semestre.

Segundo o presidente, líderes europeus pediram mais tempo para discutir medidas adicionais de proteção ao setor agrícola, o que motivou a postergação da assinatura. Lula afirmou ter recebido carta dos presidentes da Comissão Europeia e do Conselho Europeu manifestando expectativa de aprovação do acordo em janeiro. Ele também disse ter tratado do tema com a primeira-ministra da Itália, que teria sinalizado disponibilidade para assinar no início de janeiro. A França mantém posição conhecida de resistência em razão de preocupações com competitividade agrícola.

O acordo UE–Mercosul, negociado ao longo de 26 anos, abrangeria um mercado de 722 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto conjunto de cerca de US$ 22 trilhões, tornando-se um dos maiores tratados de livre comércio do mundo.

Cronologia: as negociações começaram em 1999 e, em 2019, foram divulgados os termos gerais do pacto. No ano passado, em Montevidéu, foi firmado um acordo de parceria que permitiu a elaboração dos textos finais do tratado.

O Mercosul também segue em busca de novas parcerias comerciais. Entre os esforços citados na cúpula estão a aproximação com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), cujo grupo de países reúne um PIB próximo a US$ 1,5 trilhão, a ampliação das discussões com a Índia, avanços nas negociações com os Emirados Árabes Unidos e a retomada de tratativas com o Canadá. Há, ainda, negociações em curso sobre parceria estratégica com o Japão e um acordo de preferências tarifárias com o Vietnã.

No plano regional, foi ressaltada a necessidade de aumentar o comércio intrarregional. Estão em andamento negociações com o Panamá e propostas de atualização de acordos com Colômbia e Equador. O comércio entre países sul-americanos representa cerca de 15% do fluxo comercial regional, ante aproximadamente 60% na Ásia e na Europa. A inclusão dos setores sucroalcooleiro e automotivo nas regras do Mercosul foi apontada como medida para estimular a integração e elevar esse percentual.

Atualização: texto ampliado às 12h10.

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