Vários governos latino-americanos reagiram ao ataque militar dos Estados Unidos contra a Venezuela neste fim de semana, manifestando posições divergentes sobre a ação.
Chile, Colômbia e México condenaram a operação e defenderam o respeito ao direito internacional, incluindo a soberania e a integridade territorial venezuelanas. As posições destacaram a necessidade de solução por meios diplomáticos e multilateralismo, bem como a proibição do uso da força entre Estados.
Na Colômbia, o governo anunciou medidas preventivas para proteger civis, preservar a estabilidade na fronteira e atender eventuais necessidades humanitárias ou migratórias, em coordenação com autoridades locais e agências competentes. O Executivo colombiano reafirmou também seu compromisso com os princípios da Carta das Nações Unidas e rejeitou ações militares unilaterais que possam agravar a situação.
O Chile enfatizou a busca por uma resolução pacífica do conflito, por meio do diálogo e do apoio a mecanismos multilaterais.
O México, em nota oficial, condenou a intervenção e fez referência ao artigo 2(4) da Carta da ONU, que proíbe a ameaça ou o uso da força nas relações internacionais.
A Argentina comemorou a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelas forças dos Estados Unidos, e o governo argentino comparou o papel da Venezuela no continente ao de Cuba na década de 1960.
A Bolívia divulgou posicionamento do Ministério das Relações Exteriores apoiando o que qualificou como um processo de “recuperação da democracia” na Venezuela. O governo boliviano pediu o início de uma transição que, segundo a nota, ponha fim ao chamado narcoestado, desmonte mecanismos de repressão e corrupção e restabeleça a legitimidade institucional conforme a vontade do povo venezuelano.
Contexto
O ataque dos EUA à Venezuela marca um novo episódio de intervenção direta norte-americana na região. A última invasão militar dos Estados Unidos em um país latino-americano ocorreu em 1989, quando tropas americanas ocuparam o Panamá e prenderam o então presidente Manuel Noriega.
Os Estados Unidos acusam Nicolás Maduro de liderar um suposto cartel conhecido como De Los Soles, alegação para a qual não foram apresentadas provas publicamente. Especialistas em tráfico internacional de drogas têm questionado a existência desse cartel.
Durante a administração anterior, o governo de Donald Trump ofereceu recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à captura de Maduro. Analistas críticos à ação apontam motivações geopolíticas, citando esforços para afastar a Venezuela de potências como China e Rússia e para aumentar influência sobre as reservas petrolíferas do país, consideradas as maiores do mundo em volumes comprovados.




