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terça-feira, fevereiro 3, 2026

Nipah: entenda o vírus que preocupa a Ásia

Autoridades de saúde da Índia confirmaram um novo surto do vírus Nipah em Bengala Ocidental. Pelo menos cinco casos foram verificados entre profissionais de um hospital local, e cerca de 100 pessoas foram colocadas em quarentena na mesma unidade. Países vizinhos, como Tailândia, Nepal e Taiwan, reforçaram medidas de precaução em aeroportos diante do risco de disseminação.

O Nipah é um vírus zoonótico que pode ser transmitido por contato com animais, por alimentos contaminados ou de pessoa para pessoa. A infecção varia desde formas assintomáticas até quadros de doença respiratória grave e encefalite, que podem ser fatais.

O vírus foi identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto entre criadores de suínos na Malásia. Desde 2001 são registrados surtos recorrentes em Bangladesh, e episódios periódicos também ocorrem no leste da Índia, incluindo Bengala Ocidental, onde se concentra o surto atual. Morcegos frugívoros do gênero Pteropus são apontados como reservatório natural do vírus e evidências da circulação foram encontradas em várias regiões do mundo.

Em surtos iniciais na Malásia e em Singapura, a maioria das infecções humanas resultou do contato com porcos doentes. Em episódios posteriores em Bangladesh e na Índia, consumo de frutas ou sucos contaminados com urina ou saliva de morcegos foi a fonte mais provável. A transmissão entre pessoas tem sido documentada, especialmente em contatos próximos e em ambientes de assistência à saúde; em um surto em Siliguri (2001), a maioria dos casos ocorreu entre funcionários e visitantes de hospital. Entre 2001 e 2008, aproximadamente metade dos casos registrados em Bangladesh foi atribuída à transmissão pessoa a pessoa.

Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, vômito e dor de garganta. Com a progressão da doença podem surgir tontura, sonolência, alteração do nível de consciência e sinais neurológicos compatíveis com encefalite aguda. Alguns pacientes desenvolvem pneumonia atípica e insuficiência respiratória grave, incluindo síndrome do desconforto respiratório agudo. Em quadros graves, ocorrem convulsões e coma em 24 a 48 horas.

O período de incubação costuma variar de quatro a 14 dias, com relatos de até 45 dias em alguns casos. A taxa de letalidade estimada fica entre 40% e 75%, dependendo do surto e da capacidade local de vigilância e manejo clínico. Entre os sobreviventes da encefalite, a maioria recupera-se totalmente, mas cerca de 20% pode apresentar sequelas neurológicas de longo prazo; casos de recaída ou encefalite de início tardio também foram descritos.

O diagnóstico é dificultado pelos sintomas iniciais inespecíficos. Testes laboratoriais empregados incluem RT-PCR em fluidos corporais e detecção de anticorpos por ensaio imunoenzimático; também podem ser usados ensaios de PCR adicionais e isolamento viral em cultura celular.

Não existem medicamentos específicos nem vacinas aprovadas para Nipah. O manejo clínico baseia-se em cuidados de suporte intensivos voltados às complicações respiratórias e neurológicas. O vírus figura entre os patógenos considerados de potencial epidêmico.

Entre os hospedeiros, morcegos frugívoros da família Pteropodidae são identificados como reservatório natural, geralmente sem sinais clínicos. Em 1999, surtos em suínos e outros animais domésticos foram relatados, e o vírus mostrou-se altamente contagioso em porcos. Animais infectados podem ficar sem sinais ou apresentar febre, problemas respiratórios e sinais neurológicos; a mortalidade é mais elevada em leitões jovens. Suspeitas de Nipah em suínos devem ser consideradas quando houver tosse incomum em rebanhos ou casos de encefalite humana na região.

Na ausência de vacina, as ações de prevenção concentram-se na redução da exposição e na educação sobre fatores de risco. Entre as medidas recomendadas estão impedir o acesso de morcegos a locais de coleta de seiva por meio de proteções físicas; ferver sucos recém-colhidos; lavar e descascar frutas antes do consumo; descartar frutas com marcas de mordidas de morcego; usar equipamentos de proteção ao manusear animais doentes ou seus tecidos e durante abate e descarte; proteger alimentação e instalações de suínos contra morcegos; e evitar contato próximo sem proteção com pessoas infectadas, além de higiene das mãos após cuidar de doentes.

Autoridades de saúde locais e internacionais seguem monitorando o surto e orientando medidas de vigilância e controle.

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