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terça-feira, fevereiro 3, 2026

Maioria dos imigrantes detidos nos EUA (73%) não possui antecedentes criminais

Dados de final de 2025 mostram que 73% dos cerca de 68 mil imigrantes detidos nos Estados Unidos não tinham antecedentes criminais. O percentual foi calculado pelo Transactional Records Access Clearinghouse (TRAC), banco de dados da Universidade de Syracuse.

O TRAC também aponta que muitos dos processados responderam por delitos menores, incluindo infrações de trânsito.

Na esfera oficial, o governo de Donald Trump afirma que o Serviço de Alfândega e Imigração (ICE) concentra-se na detenção de pessoas consideradas criminosas e uma ameaça à segurança pública.

Organizações que apoiam imigrantes relatam, contudo, um aumento expressivo nas detenções. O Conselho Americano de Imigração estimou que as prisões de imigrantes sem antecedentes cresceram 2.450% durante a gestão Trump. A mesma entidade calcula que, no segundo mandato do presidente, o número de detidos pelo ICE subiu 75%, de 40 mil para 68 mil, com expectativa de chegar a 100 mil nos primeiros meses de 2026.

Relatórios do Conselho indicam que, em novembro de 2025, para cada pessoa liberada enquanto aguardava audiência, 14,3 foram deportadas diretamente — índice muito superior à proporção de 1,6 registrada em dezembro de 2024. Entre janeiro e 29 de novembro de 2025, as liberações discricionárias da detenção teriam caído 87%.

Segundo o documento, operações de fiscalização incluíram ações direcionadas e batidas em locais de trabalho, além de patrulhas móveis e prisões colaterais. Há registros de imigrantes que, mesmo comparecendo a audiências, foram detidos novamente sem aviso prévio. A ONG também aponta aumento de 600% em detenções em massa e dificuldades no pagamento de fiança.

O relatório destaca ainda a crescente participação do setor privado na gestão de detenções. No início de 2025, cerca de 90% das pessoas detidas pelo ICE estavam em instalações de propriedade ou operação de empresas privadas, enquanto o ICE mantém um número limitado de centros próprios. Entre o início do ano e o final de novembro, o ICE passou a utilizar 104 instalações adicionais, um aumento de 91%.

O crescimento no número de detidos tem pressionado a infraestrutura dos centros de custódia e afetado a segurança dos internos. Entre janeiro e 18 de dezembro de 2025, foram registradas 30 mortes sob custódia do ICE. Em um centro do Texas, surtos de sarampo levaram à quarentena de instalações.

Práticas de transferência entre estados também foram observadas. Há casos em que famílias ou adultos desaparecem em centros de detenção em um estado e reaparecem a milhares de quilômetros de distância ou, em alguns casos, já fora do país após deportação acelerada. A entidade ressalta que habeas corpus impediram algumas injustiças, mas aponta que a maioria das pessoas detidas não tem recursos para contestar decisões do ICE.

Nesta semana foi divulgada a detenção do influenciador brasileiro Júnior Pena, responsável por cerca de um milhão de seguidores e conhecido por divulgar informações sobre imigração para a comunidade brasileira nos EUA. Relatos publicados indicam que ele teria entrado no país de forma irregular e sido detido por não comparecer a uma audiência de imigração.

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