24.6 C
Dourados
segunda-feira, fevereiro 9, 2026

Porto Rico: entenda a relação entre a terra de Bad Bunny e os Estados Unidos

Com 8,9 mil km² — o equivalente a cerca de um Distrito Federal e meio — Porto Rico mantém um status político ambíguo. A ilha caribenha, berço do cantor Bad Bunny, é território dos Estados Unidos com cerca de 3,2 milhões de habitantes, onde predominam o espanhol e a cultura latino-americana.

Oficialmente, os porto-riquenhos têm cidadania americana e liberdade de trânsito para os Estados Unidos. Eles elegem o próprio governador, mas não podem votar na eleição presidencial norte-americana nem contam com representantes com direito a voto no Congresso dos EUA. Ao mesmo tempo, estão sujeitos às leis federais, servem nas Forças Armadas dos EUA e abrigam instalações militares, sem competência para conduzir relações exteriores.

Esse conjunto de características alimenta controvérsias sobre o status da ilha. O termo oficial é “Estado Livre Associado”, mas movimentos políticos e especialistas consideram a situação próxima de uma relação colonial, enquanto as Nações Unidas avaliam o tema por meios institucionais distintos.

A ONU não inclui Porto Rico na lista de “Territórios Não Autônomos” desde 1952, quando foi declarado Estado Livre Associado. Ainda assim, o Comitê Especial sobre Descolonização da organização tem classificado a situação como colonial em relatórios independentes. Um informe divulgado em março de 2025 apontou que a dominação se dá pela subordinação às disposições da Constituição e às decisões do Congresso dos EUA, que mantêm poderes sobre defesa, política externa, comércio exterior e assuntos monetários, ao passo que Porto Rico detém autoridade limitada em áreas locais.

A trajetória histórica ajuda a explicar o quadro atual. Porto Rico foi colônia espanhola até a guerra hispano‑americana de 1898, quando passou ao controle dos Estados Unidos, junto com Cuba e as Filipinas. Em 1917, seus habitantes receberam cidadania americana. Em 1952, a ilha adotou um novo estatuto político que estabeleceu autonomia administrativa interna sob o rótulo de Estado Livre Associado.

No domingo 9, Bad Bunny apresentou o show do intervalo do Super Bowl, em São Francisco, numa performance majoritariamente em espanhol que destacou repertório e símbolos latino-americanos. Durante a apresentação, foram exibidas bandeiras de países das Américas ao lado da bandeira dos EUA, e o artista fez referências à cultura porto-riquenha e às influências americanas sobre a ilha, incluindo menção ao Havaí como exemplo de perda de identidade indígena. A atuação despertou reações públicas, inclusive críticas do presidente dos EUA em redes sociais.

Desde 1967, Porto Rico organizou sete referendos consultivos sobre seu futuro político. No pleito de 2024, 58% dos votos indicaram preferência pela transformação em estado dos Estados Unidos, 29% optaram por um acordo de livre associação e 11% escolheram a independência. Em 2020, a consulta registrada mostrou 52% favoráveis à anexação como estado e 47% contrários. Essas consultas servem para medir a opinião popular, mas não são vinculantes para o Congresso norte-americano e frequentemente são questionadas por baixa participação ou pelo formato das perguntas.

O debate sobre o destino de Porto Rico segue em aberto. A ilha combina direitos e limitações: tem certa autonomia administrativa, mas permanece sob a soberania legislativa e decisória de Washington, tornando sua situação objeto de disputa política e jurídica entre autoridades locais, o Congresso dos EUA e organismos internacionais.

OUTRAS NOTÍCIAS

REDES SOCIAIS

6,785FãsCurtir
126SeguidoresSeguir
6,890InscritosInscrever
spot_img

VÍDEOS