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terça-feira, fevereiro 10, 2026

Diretor jurídico do BRB deixa cargo após caso envolvendo o Banco Master

O Banco de Brasília (BRB) informou que Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo renunciou ao cargo de diretor Jurídico. O fato relevante foi enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na noite de segunda-feira (9) e a saída passa a vigorar no próximo sábado (14).

No comunicado à CVM, o banco afirmou que manterá acionistas e o mercado informados sobre fatos relevantes, reforçando compromisso com ética, responsabilidade e transparência. Não foram divulgados os motivos da renúncia nem o nome do eventual substituto.

A movimentação ocorre em meio à crise desencadeada pelas investigações sobre as operações entre o BRB e o Banco Master, que foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025.

Veloso havia sido indicado ao cargo em agosto de 2024, pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, para completar mandato iniciado em 2022. Ele assumiu formalmente a diretoria em dezembro de 2024 e integrava a governança do banco como membro do Comitê de Auditoria.

Também nesta segunda-feira, o BRB anunciou a posse de Ana Paula Teixeira como diretora executiva de Controles e Riscos. A instituição informou que a executiva tem longa trajetória no setor financeiro, incluindo passagem pelo Banco do Brasil em posições relacionadas à gestão de riscos, controles internos, segurança institucional e cibersegurança. Segundo o BRB, a nomeação visa fortalecer governança corporativa, integridade institucional e a gestão de riscos e controles internos.

Investigações sobre o Banco Master apontaram irregularidades nas operações com o BRB. Entre 2023 e 2024, o banco público adquiriu duas carteiras de crédito do Master avaliadas em R$ 12,2 bilhões, compostas, segundo apurações, por ativos superfaturados ou inexistentes.

Em 2025, o BRB chegou a anunciar intenção de adquirir o controle do Banco Master. A operação foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em junho, mas rejeitada pelo Banco Central em setembro. Pouco depois, o Master foi liquidado pelo BC.

Depoimento do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, prestado à Polícia Federal no fim de 2025, indicou que as operações com o Banco Master teriam provocado um rombo estimado em R$ 5 bilhões no balanço do BRB.

A renúncia de Veloso ocorreu após a divulgação, por veículo de imprensa, de um parecer jurídico assinado por ele que alertava para riscos nas operações entre BRB e Master e enfatizava a necessidade de observância de índices de liquidez e de Basileia. A reportagem também relatou a existência de um vídeo interno no qual Veloso e outros executivos tratavam da negociação e de supostas vantagens técnicas da aquisição, posteriormente barrada pelo BC e alvo de investigação da Polícia Federal.

Para recompor patrimônio e reforçar liquidez, o BRB apresentou ao Banco Central, na sexta-feira (6), um plano de capital com medidas para restaurar o capital em até 180 dias. Estimativas do BC apontam que o aporte mínimo necessário pode chegar a R$ 5 bilhões.

O governo do Distrito Federal, controlador do banco com cerca de 72% do capital, acompanha o processo. O plano foi entregue pessoalmente pelo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, em reunião na sede do Banco Central, em Brasília.

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