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sábado, abril 4, 2026

Vulnerabilidade reduz estatura média de crianças indígenas e do Nordeste

Uma pesquisa do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde da Fiocruz Bahia (Cidacs/Fiocruz BA) concluiu que vulnerabilidade social está associada a menor estatura média em crianças indígenas e em parte das localidades do Nordeste até os 9 anos, abaixo das referências da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Entre os fatores apontados como prejudiciais ao crescimento estão problemas na atenção à saúde, alimentação inadequada, alta carga de doenças, baixo nível socioeconômico e condições ambientais precárias. Essas mesmas condições contribuem para que cerca de 30% das crianças brasileiras apresentem sobrepeso ou estejam próximas desse quadro.

As referências da OMS para crianças até 9 anos são baseadas em curvas de crescimento (escore-z). Aos 9 anos, o peso médio esperado para meninos varia entre 23,2 kg e 33,8 kg, com altura entre aproximadamente 124 cm e 136 cm. Para meninas, o peso médio fica entre 23,0 kg e 33,0 kg, e a altura entre cerca de 123 cm e 135 cm.

Base da pesquisa

O estudo avaliou registros de 6 milhões de crianças brasileiras com famílias inseridas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), no Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc) e no Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), acompanhadas desde o nascimento até os 9 anos. Os dados cruzaram indicadores de saúde e condições socioeconômicas dessas populações.

Foram analisados peso, estatura e a adequação desses parâmetros em relação às referências da OMS, utilizando escores-z para avaliar crescimento e estado nutricional. Os registros utilizados são administrativos, anonimizados e tratados para pesquisa em saúde.

Sobrepeso e obesidade por região

A análise também estimou prevalência de sobrepeso e obesidade infantil por região:

– Norte: sobrepeso 20% — obesidade 7,3%
– Nordeste: sobrepeso 24% — obesidade 10,3%
– Centro-Oeste: sobrepeso 28,1% — obesidade 13,9%
– Sudeste: sobrepeso 26,6% — obesidade 11,7%
– Sul: sobrepeso 32,6% — obesidade 14,4%

Resultados gerais indicam que, em média, as crianças brasileiras acompanham ou estão levemente acima das referências de peso da OMS. Embora um leve sobrepeso não seja necessariamente grave, parte das crianças já apresenta valores considerados anormais. Em termos de estatura, a média nacional tende a acompanhar as referências internacionais, enquanto o peso tem mostrado elevações preocupantes em algumas regiões.

Determinantes e implicações

Os resultados destacam a influência de condições perinatais no risco de obesidade infantil, reforçando a necessidade de acompanhamento durante a gestação e na atenção primária no pós-natal para promover crescimento e desenvolvimento saudáveis. A alimentação também aparece como fator relevante, com a maior presença de alimentos ultraprocessados identificada como um dos determinantes do aumento de peso na população infantil.

Publicação

O estudo foi publicado na revista JAMA Network em 22 de janeiro de 2026 e recebeu comentários de pesquisadores internacionais que ressaltaram a importância das lições a partir da situação brasileira. Em comparação com outros países da América Latina, a prevalência de obesidade infantil no Brasil é considerada em nível intermediário; taxas maiores foram observadas em países como Chile, Peru e Argentina.

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