O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, na madrugada deste domingo (22), a união de países em desenvolvimento — em especial do Sul Global — como caminho para alterar a lógica econômica internacional. A declaração foi feita pouco antes do fim da visita oficial à Índia e da partida para a Coreia do Sul.
Em coletiva em Nova Delhi, Lula tratou das negociações entre nações menos desenvolvidas e potências mundiais, afirmando a necessidade de maior coordenação entre países do Sul Global. Também abordou o papel do Brics, ressaltando a evolução do bloco desde a criação do banco do grupo e a busca por maior relevância no cenário internacional.
O presidente negou a existência de um projeto de criação de moeda comum do Brics, mas defendeu a ampliação do comércio entre os membros por meio de moedas locais, com o objetivo de reduzir dependências e custos nas transações.
Lula voltou a defender o multilateralismo e o fortalecimento da Organização das Nações Unidas. Na avaliação dele, a ONU precisa recuperar legitimidade e eficácia para responder a crises recentes, como as ocorridas na Venezuela, em Gaza e na Ucrânia, e garantir que nenhum país atue unilateralmente em detrimento de outros.
Sobre a relação com os Estados Unidos, o presidente afirmou que há espaço para parcerias, sobretudo no enfrentamento a organizações criminosas transnacionais. Cobrou cooperação internacional para combater o narcotráfico e sinalizou interesse em acordos que possibilitem a extradição de criminosos brasileiros presentes no exterior. Também disse pretender discutir com o presidente dos EUA o papel norte-americano na América do Sul e a postura da superpotência na região.
Na agenda em Nova Delhi, Lula teve encontro com o primeiro‑ministro Narendra Modi para ampliar a cooperação comercial entre Brasil e Índia. A comitiva presidencial registrou entendimento positivo com empresários indianos, que manifestaram intenção de elevar investimentos no Brasil.
O governo brasileiro reafirmou abertura para a exploração de minerais críticos e terras raras por parceiros estrangeiros, condicionando o acesso à exigência de agregação de valor e de transformação desses recursos em território nacional, como alternativa à exportação pura de matéria‑prima.
Lula embarcou para a Ásia na terça‑feira (17) com foco em fortalecimento do comércio e em parcerias estratégicas com Índia e Coreia do Sul. A visita a Nova Delhi foi retribuição à vinda do primeiro‑ministro indiano ao Brasil durante a Cúpula do Brics em julho de 2025. Trata‑se da quarta viagem do presidente ao país, a segunda no atual mandato.
Neste domingo (22), a comitiva desembarcou em Seul, a convite do presidente Lee Jae Myung. A visita será a terceira de Lula à Coreia do Sul e a primeira com status de visita de Estado. Está prevista a adoção do Plano de Ação Trienal 2026‑2029, que visa elevar o relacionamento bilateral a uma parceria estratégica.




