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quinta-feira, março 5, 2026

Balança comercial registra o quarto melhor resultado para fevereiro

A balança comercial registrou superávit de US$ 4,208 bilhões em fevereiro, o quarto maior resultado para esse mês desde o início da série histórica, informou nesta quinta-feira (5) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Em fevereiro de 2025, o mês havia fechado com déficit de US$ 467 milhões.

O déficit de fevereiro do ano passado foi influenciado pela importação de uma plataforma de petróleo, operação que não se repetiu neste ano e contribuiu para a volta do saldo positivo.

O resultado de fevereiro só fica atrás de 2024 (superávit recorde de US$ 5,13 bilhões), 2022 e 2017.

Movimentação do mês
– Exportações: US$ 26,306 bilhões, alta de 15,6% na comparação anual. É o maior valor para meses de fevereiro desde 1989.
– Importações: US$ 22,098 bilhões, queda de 4,8% na mesma base de comparação. O montante é o segundo maior para um fevereiro, ficando atrás apenas de 2025.

Acumulado do ano
Nos dois primeiros meses de 2026, o saldo comercial acumulado foi de US$ 8,023 bilhões, alta de 329% em relação ao mesmo período de 2025, impactado no ano passado pela importação da plataforma. Esse é o segundo melhor resultado para janeiro-fevereiro, perdendo apenas para 2024.

– Exportações acumuladas: US$ 50,922 bilhões, aumento de 5,8% em relação ao ano anterior.
– Importações acumuladas: US$ 42,898 bilhões, queda de 7,3%.

Desempenho por setores
Na decomposição setorial, as exportações registraram variações expressivas:
– Agropecuária: +6,1% (volume +1,7%; preço médio +4,4%).
– Indústria extrativa: +55,5%, impulsionada pelo petróleo (volume +63,6%; preço médio -3,5%).
– Indústria de transformação: +6,3% (volume +4%; preço médio +0,8%).

Produtos que se destacaram nas exportações
– Agropecuária: soja (+15,5%), frutas e nozes não oleaginosas (+33,9%), milho não moído (+8%).
– Indústria extrativa: óleos brutos de petróleo (+76,5%), minério de ferro e concentrados (+20,9%), minérios de cobre e concentrados (+131,2%).
– Indústria de transformação: carne bovina (+41,8%), produtos semiacabados de ferro ou aço (+89,7%), ouro não monetário, excluindo minérios de ouro (+71,9%).

As exportações de petróleo bruto aumentaram US$ 1,622 bilhão em relação a fevereiro de 2025. As vendas do produto costumam oscilar mensalmente devido às manutenções programadas em plataformas.

Importações: queda e principais recuos
A retração nas compras externas está associada, segundo o Mdic, à queda nas importações de gás natural e à desaceleração econômica, com menor ritmo de investimentos.

Principais quedas por categoria:
– Agropecuária: trigo e centeio não moídos (-65,5%); látex e borracha natural (-38,9%).
– Indústria extrativa: gás natural (-50,8%); outros minérios (-15,8%).
– Indústria de transformação: motores e máquinas não elétricos (-70,5%); plataformas e embarcações (-8,3%); inseticidas (-44,5%).

Projeções para 2026
O Mdic projeta um superávit comercial entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões para 2026. As exportações devem ficar entre US$ 340 bilhões e US$ 380 bilhões, e as importações entre US$ 270 bilhões e US$ 290 bilhões.

As estimativas oficiais são revisadas trimestralmente; novas projeções detalhadas sobre 2026 serão divulgadas em abril. Em 2025, a balança comercial fechou com superávit de US$ 68,3 bilhões. O recorde histórico permanece em 2023, com saldo positivo de US$ 98,9 bilhões.

As projeções do Mdic são superiores às do mercado financeiro: a pesquisa Focus do Banco Central aponta expectativa de superávit de US$ 68,63 bilhões para o ano.

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