O Brasil busca parcerias com países europeus para explorar e agregar valor a minerais críticos e terras raras, considerados estratégicos para a transição energética e setores de alta tecnologia. A iniciativa foi tratada em evento preparatório para a Hannover Messe, feira de tecnologia industrial que ocorrerá de 20 a 24 de abril em Hannover, Alemanha.
O país será parceiro oficial da edição de 2026 da feira. Cerca de 140 expositores brasileiros devem levar tecnologias e inovações industriais à Europa. Haverá também evento paralelo dedicado aos minerais críticos, segundo a organização.
Dados do Serviço Geológico do Brasil (SGB), vinculado ao Ministério de Minas e Energia, apontam que o Brasil detém 94% das reservas mundiais de nióbio, 26% das reservas de grafita e 12% das reservas de níquel. O país possui ainda 23% das reservas globais de terras raras.
Minerais como lítio, cobalto, níquel, grafita, cobre, manganês, nióbio e terras raras são usados em turbinas eólicas, motores elétricos e equipamentos aeroespaciais, entre outras aplicações de energia limpa e alta tecnologia.
Apesar do potencial, estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica que, embora a produção de alguns desses elementos tenha crescido, o Brasil tem apresentado recuo em participação em vários minerais estratégicos.
No plano comercial e diplomático, a participação brasileira na Hannover Messe ocorre em um momento de avanço no acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia. O tratado foi assinado em janeiro e, em março, o Senado brasileiro aprovou os termos do acordo que cria uma ampla zona de livre comércio com cerca de 720 milhões de habitantes na Europa.
A Comissão Europeia decidiu aplicar o acordo de forma provisória, apesar de resistências de alguns Estados-membros, como a França. Pelo acordo, o Mercosul se compromete a zerar tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos, enquanto a União Europeia eliminará tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos.
A assinatura do tratado ocorreu em um contexto de medidas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos. Em 20 de fevereiro, a Suprema Corte dos EUA anulou decisão anterior sobre sobretaxas a compras internacionais, e o governo americano passou a aplicar tarifas de 10% a diversos países.
Em termos bilaterais, a corrente de comércio entre Brasil e Alemanha atingiu US$ 20,9 bilhões em 2025. O Brasil exportou US$ 6,5 bilhões e importou US$ 14,4 bilhões da Alemanha no mesmo ano, apresentando déficit na balança comercial com o país germânico. A Alemanha é o terceiro maior fornecedor ao Brasil e o 11º maior comprador de produtos brasileiros.
O estoque de investimento direto alemão no Brasil é estimado em cerca de 40 bilhões de euros, e mais de mil empresas alemãs operam no país. Está prevista a realização de encontros durante a Hannover Messe entre autoridades brasileiras e alemãs.
O repórter viajou a convite da Deutsche Messe AG, organizadora da Hannover Messe.




