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segunda-feira, março 9, 2026

Ataque a escola de meninas no Irã revela a brutalidade da guerra

Um ataque a uma escola feminina em Minab, no sul do Irã, deixou 168 crianças mortas e mais de 90 feridas, segundo a imprensa local. O caso ocorreu na manhã do primeiro dia da ofensiva entre Estados Unidos, Israel e o Irã, iniciada no último sábado (28).

O velório das vítimas reuniu milhares de pessoas na terça-feira (3). Imagens divulgadas mostraram valas abertas para acomodar os caixões e grande participação popular.

Autoridades e organismos internacionais reagiram ao episódio. O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu uma investigação rápida, imparcial e minuciosa sobre as circunstâncias do ataque. A Casa Branca informou estar investigando o incidente. Israel declarou não haver, até o momento, ligação entre suas operações e o ataque.

O jornal The New York Times publicou análise baseada em imagens de satélite, publicações em redes sociais e vídeos verificados que aponta que a escola sofreu danos causados por um ataque de precisão. A apuração do NYT ainda relaciona o momento do ataque com ofensivas americanas a uma base naval da Guarda Revolucionária Islâmica, localizada próximo ao Estreito de Ormuz, e sugere que as forças americanas podem ter sido responsáveis.

O episódio reacende debates sobre os efeitos da guerra na população civil, em especial mulheres e crianças. No Irã, vigora obrigatoriedade do uso do hijab e uma série de restrições à mobilidade e à vida pública das mulheres, medidas aplicadas e fiscalizadas pela chamada polícia da moralidade. Em 2022, a morte da jovem Mahsa Amini durante detenção pela polícia da moralidade deu origem ao movimento Mulher, Vida e Liberdade, que mobilizou protestos por direitos e mudanças no país.

O histórico de perseguição a ativistas de direitos das mulheres também é relevante. A advogada e militante Narges Mohammadi, laureada com o Nobel da Paz em 2023 por sua atuação contra a opressão das mulheres, está presa no Irã e recebeu pena de 7 anos e meio de reclusão por acusações de conspiração.

Dados do Banco Mundial e da Unesco indicam avanços sociais nas últimas décadas: a taxa de alfabetização feminina subiu de cerca de 30% nos anos 1970 para aproximadamente 85% nos anos 2000. A participação das mulheres nas universidades passou de 33% para cerca de 60% no mesmo período. Em contrapartida, a presença feminina no mercado de trabalho permanece baixa, estimada entre 15% e 20% do total de ocupados.

O termo Doutrina Dahiya, associado a estratégias militares que preveem destruição em larga escala de infraestruturas em áreas densamente povoadas, tem sido lembrado no contexto das ofensivas da região. A expressão remete ao bombardeio do bairro de Dahiya, em Beirute, durante a guerra do Líbano em 2006.

A procuradoria internacional e órgãos de defesa dos direitos humanos têm requisitado esclarecimentos e a apuração dos fatos. Enquanto isso, famílias das vítimas seguem em luto e a comunidade internacional acompanha pedidos por investigação e responsabilização.

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