A Petrobras informou que pode atenuar o impacto da alta do petróleo no Brasil sem comprometer a rentabilidade da companhia.
Em nota, a estatal afirmou que passou a incorporar, em sua estratégia comercial, critérios relacionados ao refino e à logística. Segundo a empresa, essa abordagem permite reduzir a passagem imediata das variações internacionais para os preços domésticos e promover períodos de maior estabilidade, preservando a rentabilidade de forma sustentável.
A Petrobras também informou que, por razões concorrenciais, não antecipa decisões, mas que mantém compromisso com uma atuação responsável, equilibrada e transparente em relação à sociedade brasileira.
Alta do petróleo
A escalada dos preços no mercado internacional está ligada ao conflito no Irã e ao fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde circula cerca de 25% do petróleo mundial. O barril chegou a atingir US$ 120 na segunda-feira (9).
Após declarações de autoridades dos Estados Unidos apontando por um possível fim iminente do conflito, os preços recuaram. Nesta terça, o barril Brent era negociado abaixo de US$ 100, mas ainda acima dos cerca de US$ 70 que prevaleciam antes da crise. Depois do fechamento dos mercados, houve nova intensificação de declarações beligerantes entre Estados Unidos e Irã, relacionadas ao bloqueio do estreito.
Política de preços e contexto doméstico
Em 2023, a Petrobras deixou de adotar a política de paridade com o preço internacional (PPI), que vinculava a revenda aos preços globais. Desde então, a formação de preços da empresa passou a considerar também fatores domésticos, o que ampliou sua margem de manobra para mitigar efeitos de choques externos.
Ainda assim, essa capacidade de mitigação tem limites. O Brasil segue importando volumes significativos de derivados, como gasolina e diesel, e conta com refinarias privatizadas — por exemplo, a RLAM, na Bahia — o que reduz instrumentos disponíveis para segurar preços diante de flutuações internacionais.




