Mojtaba Khamenei, em seu primeiro pronunciamento público desde a eleição como Líder Supremo do Irã, anunciou a continuidade de retaliações contra Israel e os Estados Unidos e a manutenção de ataques a bases militares inimigas na região. Ele também afirmou que o bloqueio do Estreito de Ormuz seguirá em vigor.
O novo chefe de Estado em Teerã assumiu o posto após a morte do pai, Ali Khamenei, morto em um bombardeio no primeiro dia da guerra. Segundo a cobertura oficial, Mojtaba perdeu ainda a esposa, uma irmã, um sobrinho e um cunhado nos ataques recentes.
O Irã tem usado o fechamento do Estreito de Ormuz como instrumento de pressão. Pelo estreito circulam cerca de 25% do petróleo mundial, medida que tem provocado impactos nos mercados e levado países a liberar estoques de emergência.
Mojtaba Khamenei declarou que o governo exigirá compensações pelos prejuízos econômicos causados pela guerra e que, caso não sejam pagas, poderá confiscar bens do adversário ou destruí-los na mesma proporção. Ele também reafirmou o apoio do país ao chamado Eixo da Resistência, composto por grupos como Hamas e Hezbollah, classificando esse suporte como parte das diretrizes da Revolução Islâmica.
Em relação aos países vizinhos, o novo Líder Supremo disse estar disposto a manter relações “cordiais e construtivas” com as 15 nações com as quais o Irã faz fronteira terrestre ou marítima. Ao mesmo tempo, deixou claro que o país continuará a mirar exclusivamente bases militares que tenham sido utilizadas para ataques contra o Irã, sem direcionar ações aos Estados anfitriões dessas instalações.
Na quarta-feira (11), o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução apresentada pelo Bahrein que pede a Teerã a suspensão de retaliações contra países árabes da região; China e Rússia se abstiveram na votação.
Mojtaba Khamenei também pediu unidade entre os diversos setores da sociedade iraniana diante do conflito e fez menção ao papel das forças armadas e dos combatentes nas recentes operações.
No Irã, o cargo de Líder Supremo é escolhido pela Assembleia dos Especialistas, formada por 88 clérigos eleitos por voto popular. Embora o mandato seja vitalício, a Constituição prevê a possibilidade de destituição pela mesma Assembleia. Durante 36 anos, Ali Khamenei ocupou a posição de maior autoridade do sistema político iraniano, que inclui Executivo, Parlamento, Judiciário e o Conselho dos Guardiões — este composto por seis membros indicados pelo Líder Supremo e seis indicados pelo Parlamento. As Forças Armadas respondem diretamente ao Líder Supremo, e não ao Executivo.




