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quinta-feira, março 19, 2026

Viabilidade de implementar rastreamento do câncer colorretal no SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS) pode receber um novo programa de rastreamento do câncer colorretal, que atinge o intestino grosso e o reto e tem apresentado aumento de casos e óbitos.

Uma diretriz com orientações para a testagem já foi elaborada por especialistas e obteve parecer favorável da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).

Nos próximos dias a Conitec abrirá consulta pública para receber contribuições da sociedade. Após essa etapa, a comissão tomará decisão final sobre a incorporação das medidas ao SUS. A decisão definitiva caberá ao Ministério da Saúde, que acompanha o processo; todos os representantes do ministério na comissão manifestaram-se a favor.

A proposta prevê realização do teste imunoquímico de fezes (FIT) a cada dois anos para pessoas de 50 a 75 anos sem fatores de risco ou sintomas. Resultado positivo no teste indicaria encaminhamento para colonoscopia, exame diagnóstico que permite identificar a causa do sangramento e orientar o tratamento.

As recomendações foram pensadas para indivíduos assintomáticos, sem outras doenças intestinais, com o objetivo de detectar lesões pré-cancerígenas ou câncer em estágio inicial, situações que elevam substancialmente as chances de cura.

Segundo o epidemiologista do Instituto Nacional do Câncer (Inca) Arn Migowski, os exames já demonstraram eficácia na redução da mortalidade por câncer colorretal, mas a adesão da população ainda é baixa tanto na rede pública quanto na privada. Migowski é autor de estudo que projetou um aumento de quase três vezes nas mortes por essa neoplasia até 2030, quadro atribuído em parte ao diagnóstico tardio comum entre os pacientes.

O grupo de trabalho responsável pela diretriz discute como implantar o programa no SUS. A proposta é uma implementação escalonada, iniciando por localidades-piloto e expandindo progressivamente, para que o sistema consiga absorver a demanda sem prejudicar o atendimento rápido a pacientes sintomáticos.

No modelo de rastreamento organizado, estão previstas convocações ativas da população elegível, seguimento dos resultados, encaminhamento para colonoscopia quando necessário, atendimento especializado e convocação posterior quando chegar a vez do próximo exame. Essas etapas exigem planejamento operacional detalhado.

Do ponto de vista diagnóstico, o teste imunoquímico de fezes detecta sangue oculto, sinalizador de possíveis lesões no trato intestinal. A colonoscopia utiliza um tubo flexível com câmera para visualizar o interior do intestino e identificar pólipos adenomatosos, que são lesões pré-cancerígenas passíveis de remoção durante o próprio exame, prevenindo a progressão para câncer.

Algumas sociedades médicas têm orientado a realização de colonoscopia já a partir dos 45 anos, como estratégia complementar de detecção.

Março Azul é a campanha dedicada à conscientização sobre o câncer colorretal. Os sinais que devem motivar investigação imediata incluem anemia decorrente de sangramento oculto, emagrecimento, dor abdominal, alteração do hábito intestinal e fezes mais estreitas, que podem indicar obstrução parcial do intestino.

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