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domingo, março 22, 2026

Mulher trans ingressa na universidade 25 anos depois de sofrer violência na escola

Sabriiny Fogaça Lopes, 41 anos, foi aprovada na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) 25 anos depois de interromper os estudos aos 15 anos devido a discriminações que incluíram agressões físicas.

Ao deixar a escola, enfrentou dificuldades no mercado de trabalho e chegou a atuar como cabeleireira. A retomada dos estudos ocorreu por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA), motivada por apoio de amigos e pelo desejo de reconstituir a trajetória acadêmica.

No Colégio Estadual Barão de Tefé, em Seropédica (região metropolitana do Rio), Sabriiny encontrou um ambiente com estudantes de diferentes idades e participou de iniciativas pedagógicas da rede estadual, como o projeto Alunos Autores, em parceria com a Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc RJ), que resultou em uma coletânea de contos.

Ela prestou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em duas ocasiões e foi aprovada nas duas. A primeira aprovação foi para Licenciatura em Educação do Campo. Em 2026, tornou-se ingressante em Licenciatura em Educação Especial, curso que escolheu. Também foi eleita Diretora de Diversidade do Diretório Acadêmico do curso de Educação Especial.

Dados oficiais mostram que a EJA reúne cerca de 2,4 milhões de estudantes, segundo o Censo Escolar 2024, dos quais cerca de 2,2 milhões estão na rede pública. Essa modalidade é minoritária na educação básica, que atende 47 milhões de estudantes no país.

A transição da EJA para o ensino superior é mais baixa do que na modalidade regular: enquanto 30% dos concluintes da modalidade regular ingressam no ensino superior no ano seguinte à conclusão do ensino médio, o percentual entre concluintes da EJA é de 9%, conforme o Censo da Educação Superior 2023.

A EJA destina-se a jovens, adultos e idosos que não tiveram acesso ou não concluíram o ensino fundamental e médio, oferecendo ambas as etapas da educação básica.

Relatórios da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), de 2024, indicam que apenas 0,3% da população trans e travesti acessa o ensino superior, e mais de 70% dessa população não concluiu o ensino médio. A entidade atribui a exclusão a formas de transfobia institucional e social, além dos baixos índices de escolarização e formação profissional entre essas pessoas.

Nos últimos anos, 38 universidades públicas brasileiras — entre estaduais e federais — passaram a ofertar cotas para pessoas trans. A distribuição regional é a seguinte: 13 instituições no Sudeste; quatro no Sul; 13 no Nordeste; três no Centro-Oeste; e cinco no Norte.

A Antra também aponta a necessidade de políticas de permanência para garantir a conclusão dos cursos, como comissões de acompanhamento, assistência específica e espaços seguros de acolhimento para estudantes trans e travestis.

Reportagem produzida por estagiária sob supervisão da jornalista Mariana Tokarnia.

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