Sabriiny Fogaça Lopes, 41 anos, foi aprovada na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) 25 anos depois de interromper os estudos aos 15 anos devido a discriminações que incluíram agressões físicas.
Ao deixar a escola, enfrentou dificuldades no mercado de trabalho e chegou a atuar como cabeleireira. A retomada dos estudos ocorreu por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA), motivada por apoio de amigos e pelo desejo de reconstituir a trajetória acadêmica.
No Colégio Estadual Barão de Tefé, em Seropédica (região metropolitana do Rio), Sabriiny encontrou um ambiente com estudantes de diferentes idades e participou de iniciativas pedagógicas da rede estadual, como o projeto Alunos Autores, em parceria com a Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc RJ), que resultou em uma coletânea de contos.
Ela prestou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em duas ocasiões e foi aprovada nas duas. A primeira aprovação foi para Licenciatura em Educação do Campo. Em 2026, tornou-se ingressante em Licenciatura em Educação Especial, curso que escolheu. Também foi eleita Diretora de Diversidade do Diretório Acadêmico do curso de Educação Especial.
Dados oficiais mostram que a EJA reúne cerca de 2,4 milhões de estudantes, segundo o Censo Escolar 2024, dos quais cerca de 2,2 milhões estão na rede pública. Essa modalidade é minoritária na educação básica, que atende 47 milhões de estudantes no país.
A transição da EJA para o ensino superior é mais baixa do que na modalidade regular: enquanto 30% dos concluintes da modalidade regular ingressam no ensino superior no ano seguinte à conclusão do ensino médio, o percentual entre concluintes da EJA é de 9%, conforme o Censo da Educação Superior 2023.
A EJA destina-se a jovens, adultos e idosos que não tiveram acesso ou não concluíram o ensino fundamental e médio, oferecendo ambas as etapas da educação básica.
Relatórios da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), de 2024, indicam que apenas 0,3% da população trans e travesti acessa o ensino superior, e mais de 70% dessa população não concluiu o ensino médio. A entidade atribui a exclusão a formas de transfobia institucional e social, além dos baixos índices de escolarização e formação profissional entre essas pessoas.
Nos últimos anos, 38 universidades públicas brasileiras — entre estaduais e federais — passaram a ofertar cotas para pessoas trans. A distribuição regional é a seguinte: 13 instituições no Sudeste; quatro no Sul; 13 no Nordeste; três no Centro-Oeste; e cinco no Norte.
A Antra também aponta a necessidade de políticas de permanência para garantir a conclusão dos cursos, como comissões de acompanhamento, assistência específica e espaços seguros de acolhimento para estudantes trans e travestis.
Reportagem produzida por estagiária sob supervisão da jornalista Mariana Tokarnia.




