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sábado, março 28, 2026

Pesquisadores brasileiros recebem prêmio por estudos sobre Alzheimer

Dois laboratórios brasileiros ganharam destaque internacional por avanços na pesquisa sobre a doença de Alzheimer. Os pesquisadores Mychael Lourenço, da UFRJ, e Wagner Brum, da UFRGS, receberam prêmios de instituições estrangeiras por trabalhos relacionados ao diagnóstico e aos mecanismos da doença.

Lourenço foi agraciado com o ALBA-Roche Prize for Excellence in Neuroscience Research, prêmio destinado a cientistas de meia carreira com contribuições relevantes em neurociência. Brum recebeu o reconhecimento Next “One to Watch”, concedido pela Alzheimer’s Association a jovens pesquisadores promissores.

Alzheimer segue como um dos maiores desafios médicos atuais. A doença costuma começar com perda de memória recente e, conforme avança, leva a déficits no raciocínio, na comunicação e na mobilidade, culminando em dependência total. Estimativas indicam cerca de 40 milhões de pessoas com Alzheimer no mundo, com aproximadamente 2 milhões no Brasil — número possivelmente subestimado devido a dificuldades de acesso a diagnóstico.

Desde a descrição inicial de Alois Alzheimer, em 1906, e a identificação da beta-amiloide como componente das placas cerebrais na década de 1980, a relação entre acúmulo proteico e sintomas ainda não está totalmente esclarecida. Drogas capazes de remover placas não foram suficientes para reverter a doença, apontando lacunas no entendimento dos processos que tornam o cérebro vulnerável.

No Lourenço Lab, vinculado à UFRJ, as linhas de pesquisa incluem estudos sobre mecanismos de degradação proteica e testes em modelos animais de substâncias que podem prevenir o acúmulo de beta-amiloide e da proteína tau. Outra frente do grupo investiga biomarcadores sanguíneos para identificar sinais precoces da doença na população brasileira e verificar se padrões detectados em outros países são aplicáveis ao Brasil.

Em Porto Alegre, no Zimmer Lab da UFRGS, Wagner Brum trabalhou na padronização clínica de um exame de sangue baseado na detecção da proteína p-tau217, um biomarcador importante para Alzheimer. O teste apresentou boa precisão em pesquisas, mas exigiu a definição de parâmetros de leitura para uso diagnóstico rotineiro. Cerca de 20% a 30% dos resultados ficam em faixa intermediária e demandam exames complementares.

O protocolo desenvolvido por Brum já é utilizado por laboratórios na Europa e nos Estados Unidos, mas sua incorporação no Brasil permanece restrita a alguns laboratórios privados. Estudos clínicos em andamento no Rio Grande do Sul buscam validar o impacto do exame em contextos locais e ampliar a aplicação para outras regiões do país. A adoção pelo Sistema Único de Saúde (SUS) dependerá de evidências de que a introdução desses testes melhora a acurácia diagnóstica e altera o manejo clínico dos pacientes.

Hoje, o diagnóstico de Alzheimer no Brasil baseia-se majoritariamente na avaliação clínica e em exames de imagem estrutural, como tomografia e ressonância magnética, que identificam atrofia cerebral mas não são específicos da doença. Os métodos considerados mais precisos, como análise do líquor e PET-CT, enfrentam limitações de custo e acesso. Testes sanguíneos com biomarcadores prometem facilitar o rastreio em larga escala e antecipar a detecção antes do aparecimento dos sintomas.

Os projetos dos dois pesquisadores contam com apoio de agências e institutos nacionais, entre eles Faperj, Fundação Serrapilheira e Instituto Idor. As premiações internacionais ressaltam a visibilidade crescente da pesquisa brasileira em Alzheimer e a importância de desenvolver ferramentas diagnósticas e terapêuticas mais acessíveis.

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