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quinta-feira, março 26, 2026

Dívida pública cresce 2,31% em fevereiro e ultrapassa R$ 8,8 trilhões

A forte emissão de títulos prefixados levou ao crescimento da Dívida Pública Federal (DPF) em fevereiro. O Tesouro Nacional informou que o estoque passou de R$ 8,641 trilhões em janeiro para R$ 8,841 trilhões em fevereiro, alta de 2,31%.

Em agosto de 2025 a DPF ultrapassou pela primeira vez a marca de R$ 8 trilhões. Pelo Plano Anual de Financiamento (PAF) divulgado em janeiro, o estoque deve encerrar 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.

A Dívida Pública Mobiliária interna (DPMFi) avançou 2,17%, de R$ 8,331 trilhões para R$ 8,511 trilhões. No mês, o Tesouro registrou emissão líquida de R$ 102,81 bilhões — ou seja, emitiu esse valor a mais do que resgatou —, concentrada principalmente em papéis prefixados. Somaram-se ainda R$ 77,76 bilhões de apropriação de juros, que são incorporados ao estoque da dívida.

Com a Selic em 14,75% ao ano, a apropriação de juros pressiona o endividamento governamental. Em fevereiro, o Tesouro emitiu R$ 143,26 bilhões em títulos da DPMFi e realizou resgates de R$ 40,46 bilhões.

A Dívida Pública Federal externa (DPFe) cresceu 6,13%, passando de R$ 310,59 bilhões para R$ 329,65 bilhões. Apesar da queda de 1,54% do dólar no mês, o aumento decorreu da emissão de US$ 4,5 bilhões em títulos do Tesouro no mercado externo.

O colchão da dívida pública — reserva financeira destinada a enfrentar turbulências ou concentração de vencimentos — voltou a subir em fevereiro, de R$ 1,085 trilhão para R$ 1,192 trilhão. O Tesouro atribuiu o movimento à emissão líquida do mês.

Atualmente, o colchão cobre 6,41 meses de vencimentos. Nos próximos 12 meses estão previstos R$ 1,44 trilhão em vencimentos de títulos federais. O Tesouro informou que o resultado de março, a ser divulgado em abril, deve mostrar queda no colchão em razão de recompras de cerca de R$ 49 bilhões em títulos feitas após o início da guerra no Oriente Médio.

A composição da DPF mudou entre janeiro e fevereiro:
– Títulos vinculados à Selic: de 49,42% para 49,10%;
– Títulos corrigidos pela inflação: de 26,35% para 25,85%;
– Títulos prefixados: de 20,65% para 21,33%;
– Títulos vinculados ao câmbio: de 3,58% para 3,71%.

O PAF projeta encerramento do ano nos seguintes intervalos: Selic entre 46% e 50%; indexados à inflação entre 23% e 27%; prefixados entre 21% e 25%; e vinculados ao câmbio entre 3% e 7%.

O prazo médio da DPF foi estimado em anos pelo Tesouro, variando de 4,03 para 4 anos. Esse indicador mede o tempo médio para renovação (refinanciamento) da dívida pública.

Quanto aos detentores da dívida interna, a distribuição ficou assim:
– Instituições financeiras: 31,76%;
– Fundos de pensão: 22,59%;
– Fundos de investimento: 21,58%;
– Não residentes (estrangeiros): 10,75%;
– Demais grupos: 13,3%.

A participação dos não residentes subiu de 10,69% em janeiro para 10,75% em fevereiro, alcançando o maior patamar desde novembro de 2024 (11,2%).

Por meio da emissão de títulos, o governo capta recursos no mercado para honrar compromissos. Em troca, compromete-se a restituir o principal acrescido de correção, que pode ser atrelada à Selic, à inflação, ao dólar ou ser prefixada.

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