O Banco Central (BC) decretou, nesta sexta-feira (27), a liquidação extrajudicial do grupo econômico controlado pela Entrepay, por risco aos credores.
A medida atinge a Entrepay Instituição de Pagamento, principal empresa do conglomerado, e se estende à Acqio Adquirência Instituição de Pagamento e à Octa Sociedade de Crédito Direto.
Segundo o BC, o conglomerado era de pequeno porte e, em dezembro de 2025, respondia por cerca de 0,009% do total de ativos do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Para efeito de comparação, o relatório de Estabilidade Financeira do BC, de abril de 2025, indica que as quatro maiores instituições do país concentravam 54,7% dos ativos do SFN: Caixa (15,1%), Banco do Brasil (14,9%), Itaú (13,6%) e Bradesco (11,1%).
A autarquia informou que a liquidação decorre do comprometimento da situação econômico-financeira da entidade líder do grupo, de infrações às normas aplicáveis e de perdas que colocaram os credores em risco anormal.
Por serem instituições de pagamento e uma sociedade de crédito direto, as entidades liquidadas não contam com garantias do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O FGC é constituído por recursos dos bancos para ressarcir clientes se uma instituição financeira não cumprir suas obrigações.
A liquidação extrajudicial é um regime de intervenção adotado pelo BC para retirar do SFN, de forma organizada, instituições financeiras consideradas inviáveis. O procedimento ocorre sem intervenção judicial direta e tem por objetivo proteger depositantes e credores diante de insolvência grave, má gestão ou fraudes.
Pelo que determina a lei, a declaração de liquidação torna indisponíveis os bens dos controladores e de ex-administradores das instituições envolvidas.
O Banco Central afirmou que manterá as medidas necessárias, no âmbito de suas competências, para apurar responsabilidades pela crise na Entrepay. O processo pode resultar em sanções administrativas e em encaminhamentos às autoridades competentes.




