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domingo, março 29, 2026

Horta comunitária em favela do Rio preserva memória, promove cuidado e fortalece cidadania

Faz um ano que a rotina de Vera Lúcia Silva de Souza, 74 anos, começa cedo. Ela rega as plantas de casa e percorre a pé a íngreme descida do alto do Morro do Salgueiro, na zona norte do Rio de Janeiro, até a horta comunitária onde trabalha para complementar a renda.

A área de plantio faz parte do Coletivo de Erveiras e Erveiros do Salgueiro, grupo que se reúne desde 2019 para catalogar espécies, preservar saberes tradicionais e manter plantas conhecidas pelos moradores da comunidade. A horta do Salgueiro é uma das 84 mantidas por comunidades com apoio da Prefeitura do Rio, por meio do programa Hortas Cariocas, criado há cerca de 20 anos.

Em 2025, conforme dados da Secretaria Municipal de Ambiente e Clima, a produção das hortas apoiadas pelo programa atingiu 74 toneladas. A colheita registrada no Salgueiro foi de 700 quilos.

A casa de Vera está localizada nas franjas do Parque Nacional da Tijuca e é cercada por árvores, um contraste com a realidade térmica mais quente observada em muitas favelas. No quintal, ela cultiva diversas ervas e plantas medicinais e culinárias — entre elas saião, alfavaca, assa-peixe, ora-pro-nóbis e boldo — e doa mudas quando solicitada.

A horta do Salgueiro não tem placa de identificação na entrada e é conhecida principalmente pelos moradores. Além das ervas, são cultivados alimentos que posteriormente são doados à Escola Municipal Bombeiro Geraldo Dias.

O terreno destinado ao plantio foi liberado após a remoção de uma vila de casas em risco de deslizamento. A área, antes tomada por lixo, foi convertida pela comunidade em um espaço produtivo. Entre as culturas cultivadas estão berinjela, alface, chicória, cenoura, limão e uma laranja de polpa avermelhada conhecida como laranja sanguínea.

Segundo a Prefeitura do Rio, as hortas urbanas têm contribuído para reduzir a ocupação irregular de terrenos ociosos e para ampliar a inclusão social, além de oferecer alimentos sem transgênicos e sem agrotóxicos. A Secretaria de Ambiente e Clima informou que presta suporte técnico contínuo e realiza entrega regular de sementes, mantidas disponíveis para retirada pelos grupos comunitários.

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