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segunda-feira, março 30, 2026

Chikungunya em Mato Grosso do Sul: saiba por que a doença preocupa

O governo federal declarou situação de emergência em saúde pública no município de Dourados (MS) devido ao aumento de doenças infecciosas virais, entre elas um surto de chikungunya. A prefeitura da cidade já havia emitido, na sexta-feira (27), um decreto que instituiu estado de emergência em áreas afetadas pela doença.

Boletim epidemiológico divulgado pouco antes aponta, na zona urbana de Dourados, 1.455 casos prováveis, 785 confirmados, 900 em investigação e 39 internações. Na Reserva Indígena de Dourados foram registrados 1.168 casos prováveis, 629 confirmados, 539 em investigação, sete internações, 428 atendimentos hospitalares e cinco óbitos confirmados.

O governo de Mato Grosso do Sul informou que o estado integrará um projeto-piloto do Ministério da Saúde para recebimento de doses da vacina contra a chikungunya. A inclusão de Mato Grosso do Sul no piloto ocorreu após solicitação formal motivada pelo quadro epidemiológico observado em Dourados, com destaque para os territórios indígenas.

Sobre a chikungunya

A chikungunya é uma arbovirose transmitida pela picada de fêmeas do gênero Aedes. No Brasil, o vetor identificado na transmissão é o Aedes aegypti. O vírus chegou ao continente americano em 2013 e provocou epidemias em vários países da América Central e no Caribe.

Em 2014, no segundo semestre, houve confirmação laboratorial dos primeiros casos no Brasil, nos estados do Amapá e da Bahia. Atualmente, todos os estados brasileiros registram transmissão do arbovírus. Em 2023, foi observada ampla dispersão territorial do vírus, com maior expansão na Região Sudeste; anteriormente, as maiores incidências concentravam-se no Nordeste.

Quadro clínico

Os principais sinais da infecção incluem edema e dor articular intensa que pode incapacitar. Também são possíveis manifestações extra-articulares. Casos graves podem evoluir para necessidade de internação e óbito.

Há risco de doença neuroinvasiva, com complicações como encefalite, mielite, meningoencefalite, síndrome de Guillain-Barré, síndromes cerebelares, paresias, paralisias e neuropatias.

Sintomas mais comuns

– Febre
– Dores musculares
– Cefaleia
– Dores intensas nas articulações
– Manchas vermelhas na pele
– Dor retro-orbital
– Dor nas costas
– Conjuntivite não purulenta
– Náuseas e vômitos
– Edema articular (nas mesmas articulações doloridas)
– Prurido, generalizado ou limitado às palmas das mãos e solas dos pés
– Diarreia e/ou dor abdominal (mais frequente em crianças)
– Dor de garganta
– Calafrios

Fases da doença

A evolução clínica pode ocorrer em três fases: aguda ou febril (5 a 14 dias), pós-aguda (15 a 90 dias) e crônica (sintomas persistentes por mais de 90 dias). Em mais da metade dos casos, a artralgia torna-se crônica e pode perdurar por anos. Podem surgir manifestações sistêmicas envolvendo sistema nervoso, cardiovascular, pele, rins e outros órgãos.

Diagnóstico e notificação

O diagnóstico é clínico e laboratorial e deve ser realizado por médico. Todos os exames diagnósticos e de acompanhamento, sorológicos e moleculares, estão disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Em casos suspeitos, a notificação deve ser registrada no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan Online) em até sete dias. Óbitos relacionados à doença precisam ser comunicados ao ministério da Saúde em até 24 horas.

Considera-se caso suspeito quem apresenta início súbito de febre acompanhado de artralgia ou artrite intensa, sem outra explicação, e que resida ou tenha visitado área com transmissão até duas semanas antes do início dos sintomas, ou que tenha vínculo epidemiológico com caso confirmado.

Tratamento

Não existe tratamento antiviral específico para a chikungunya; a abordagem é sintomática, com analgésicos e suporte. Recomenda-se hidratação oral e escolha de medicamentos baseada na avaliação clínica, utilizando escalas de dor adequadas à idade e à fase da doença.

Em situações de comprometimento musculoesquelético importante, a fisioterapia pode ser indicada após avaliação médica. É recomendada procura por serviço de saúde ao primeiro sintoma para diagnóstico correto e prescrição adequada, evitando automedicação, que pode mascarar sinais e agravar o quadro.

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