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terça-feira, março 31, 2026

Relatório alerta que guerra no Irã aumenta riscos ambientais e climáticos

A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã completou um mês no fim de semana, e um levantamento recente aponta aumento dos riscos ambientais e climáticos na região além das perdas humanas.

Relatório do Observatório de Conflitos e Meio Ambiente (CEOBS) identificou mais de 300 incidentes com algum grau de dano ambiental nas três primeiras semanas do conflito. Os episódios foram registrados em uma larga faixa geográfica: Irã, Iraque, Israel, Kuwait, Jordânia, Chipre, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Omã e Azerbaijão.

O estudo destaca que ataques a instalações industriais, residenciais e comerciais podem liberar poluentes, espalhar materiais de construção como amianto e provocar incêndios com produtos tóxicos da combustão. Componentes de armas explosivas também têm potencial para contaminar o solo e a água com metais pesados.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) divulgou posição de preocupação com a escalada da violência no Oriente Médio, apontando danos ambientais generalizados e pedindo o fim das hostilidades.

Irã e Líbano apresentaram queixas formalizadas às Nações Unidas em que acusam Israel de ecocídio — termo usado para descrever destruição massiva e duradoura do meio ambiente por atos ilegais ou irresponsáveis. Em sua comunicação, o Irã classificou ataque a reservatórios de combustível em Teerã como enquadrável nessa definição e solicitou responsabilização internacional de Israel e dos Estados Unidos.

Principais riscos ambientais apontados pelo CEOBS

– Riscos nucleares: foram relatados ataques à instalação de enriquecimento de urânio em Natanz e ações nas proximidades do reator de Bushehr, no Irã. Houve também bombardeios em áreas próximas a instalações israelenses no deserto de Negev e na Zona Industrial de Rotem, local de extração de urânio a partir de fosfato. Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e Organização Mundial da Saúde (OMS) manifestaram preocupação com o risco de emergência nuclear na região.

– Infraestrutura de combustíveis fósseis: dezenas de locais de produção, processamento e armazenamento de petróleo e gás foram danificados ou interrompidos, gerando incêndios em depósitos e aumentando o risco de vazamentos e novos incêndios em instalações de processamento. Vazamentos de metano e queima de emergência também elevam emissões de gases de efeito estufa.

– Golfo Pérsico: a maioria das embarcações atacadas pelo Irã era de carga a granel, não petroleiros, mas há risco contínuo de derramamentos e capacidade limitada de resposta. Portos e infraestrutura costeira, como em Bandar Abbas, além de navios militares afundados, constituem fontes potenciais de poluição.

– Mar Vermelho: ataques de grupos Houthi a navios já provocaram incidentes graves de poluição. A continuidade desses ataques ameaça o ecossistema marinho e a pesca. Retaliações contra infraestrutura portuária e energética por Israel e EUA também representam risco de poluição costeira.

– Consequências globais: a alta dos preços e a menor disponibilidade de gás tem levado alguns países a retomar a queima de carvão no curto prazo. A redução das exportações de ureia e outros fertilizantes vem elevando preços, com impacto negativo na produção agrícola de importadores como Sudão e Somália e efeitos positivos nas receitas de exportação de países como a Rússia.

Custo climático e emissões militares

Estimativa do Climate and Community Institute aponta que a guerra no Irã gerou cerca de 5 milhões de toneladas de dióxido de carbono em 14 dias. Mantido esse ritmo, as emissões mensais poderiam ultrapassar 10 milhões de toneladas.

Levantamento do Instituto Talanoa sobre o impacto das forças armadas no aquecimento global calcula que, se o setor militar fosse um país, seria o quinto maior emissor do mundo, com aproximadamente 2,7 gigatoneladas de CO2 equivalente, o que corresponde a cerca de 5,5% das emissões globais. A lista citada pelo instituto indica China (15,5 GTCO2e) na liderança, seguida por Estados Unidos (5,9 GTCO2e), Índia (4,4 GTCO2e) e Rússia (2,6 GTCO2e), com Indonésia e Brasil também incluídos no ranking. A pesquisa utilizou bases como EDGAR, CEOBS, Scientists for Global Responsibility (SGR) e Global Carbon Project (GCP).

O relatório ressalta dificuldades no cálculo das emissões militares devido à falta de transparência. Em 2025, apenas seis países informaram dados desagregados das emissões de suas forças armadas: Alemanha, Bulgária, Chipre, Eslováquia, Hungria e Noruega.

Conflitos armados, segundo o levantamento, mantêm emissões estruturais e podem provocar picos intensos em curtos períodos. Como exemplos de impacto acumulado, o estudo menciona a guerra na Ucrânia e os ataques israelenses na Faixa de Gaza, com volumes relevantes de CO2e emitidos nos respectivos períodos analisados.

O CEOBS e outras organizações que acompanham o tema destacam que as emissões derivam de toda a cadeia militar: logística de transporte de tropas e equipamento, propulsão de mísseis baseada em combustíveis fósseis e energia necessária à produção de armamentos, entre outros pontos. As análises reforçam a relação direta entre conflitos e pressões adicionais sobre saúde pública, ecossistemas e recursos hídricos na região.

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