A banda pernambucana Ave Sangria, cujo primeiro disco foi censurado pela ditadura militar em 1974, receberá indenização do Estado. A decisão foi aprovada pela Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania na última quinta‑feira (26).
Em 1974, a canção “Seu Waldir”, que abordava o amor entre homens, alcançou as rádios. As letras de conotação homoafetiva foram consideradas pela repressão como atentado aos “bons costumes” e provocaram o recolhimento de todos os discos da banda nas lojas.
O episódio levou ao cancelamento do segundo álbum previsto pela gravadora e ao fim do grupo, que só retornou às atividades na década de 2010. No processo analisado pela Comissão de Anistia, foram reunidas provas das perseguições sofridas pelos integrantes da Ave Sangria.
Com base nessas evidências, a Comissão concedeu uma indenização vitalícia de R$ 2.000 por mês, além do pagamento retroativo desde a data do protocolo do pedido de anistia. A medida se soma ao reconhecimento oficial dos atos repressivos sofridos pelo grupo durante a ditadura.
Em 2019, a Ave Sangria lançou o segundo disco, 45 anos após o primeiro, com Marco Polo e Almir de Oliveira entre os músicos da formação. Em 2023, o grupo foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial do Recife.
A banda segue em atividade e mantém sua produção artística, após a reparação e o reconhecimento dos danos causados pelo regime autoritário.




