A Força de Defesa de Israel (FDI) ampliou os ataques ao Líbano nesta quarta-feira (8), atingindo áreas da capital Beirute e outras regiões do país, mesmo após o anúncio de um cessar-fogo de duas semanas feito pelo Irã e pelos Estados Unidos.
A escalada israelense pode interferir nas negociações previstas entre Teerã e Washington, com início marcado para sexta-feira (10) em Islamabad. Entre os pontos apresentados pelo Irã para as conversas, consta a exigência de fim das hostilidades em todas as frentes do Oriente Médio, incluindo Líbano e Faixa de Gaza.
Segundo informes militares israelenses, a operação de hoje foi a maior desde 2 de março, com mais de 100 alvos atingidos em várias províncias. As ações teriam tido como alvos centros de comando e instalações atribuídas ao Hezbollah em Beirute, no vale do Beqaa e no sul do Líbano.
A Agência Nacional de Notícias do Líbano relatou ataques em distintas áreas, com maior intensidade no sul. Foram registrados impactos de drones contra um veículo em Qasmiyeh e contra uma motocicleta em Kfardounin, com relatos de feridos. Aeronaves também atingiram a cidade de Sawaneh, no distrito de Marjayoun, segundo o veículo oficial.
O Ministério da Saúde do Líbano contabiliza, desde o início da atual fase do conflito em 2 de março, mais de 1,5 mil mortos e mais de 4,8 mil feridos. Autoridades locais informam ainda que 93 unidades de saúde foram bombardeadas e 57 profissionais de saúde perderam a vida. Mais de 1 milhão de pessoas foram deslocadas de suas residências no período.
O Exército israelense anunciou a continuidade das operações contra o Hezbollah e intenção de aproveitar oportunidades operacionais para manter pressão sobre o grupo. Também foi reiterada a ambição de ocupar território libanês até o rio Litani, localizado a cerca de 30 quilômetros da fronteira atual, medida que gerou críticas e temores de uma potencial anexação, em paralelo ao precedente das Colinas de Golã, ocupadas por Israel desde 1967 e posteriormente anexadas em votação no parlamento israelense — posição reconhecida pelos Estados Unidos na gestão anterior, mas contestada pela maior parte da comunidade internacional.
Há indícios de que ataques com drones e mísseis do Hezbollah têm dificultado o avanço do Exército israelense. O grupo reivindicou a destruição de mais de 100 tanques israelenses desde o início das hostilidades mais recentes.
Em comunicado divulgado nesta quarta-feira, o Hezbollah orientou que deslocados não retornem imediatamente às áreas evacuadas até que seja confirmado um cessar-fogo definitivo no Líbano. Desde o anúncio do cessar-fogo entre Irã e EUA, o grupo não divulgou novas reivindicações de ataques contra forças israelenses.
Contexto
Os bombardeios israelo-libaneses se intensificaram após o retorno das hostilidades em 2 de março. A atual fase tem ligação com a guerra mais ampla na região e com a situação em Gaza desde 2023, quando o Hezbollah passou a lançar foguetes contra o norte de Israel em apoio aos palestinos e para testar as defesas israelenses.
O Hezbollah surgiu na década de 1980, em resposta à presença israelense no Líbano. Em 2000, o grupo participou da retirada das forças israelenses do país e ao longo dos anos consolidou atuação política, com representação parlamentar e participação em governos. Conflitos anteriores entre Israel e o Líbano ocorreram em 2006, 2009 e 2011.




