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segunda-feira, abril 13, 2026

Preços da cesta básica sobem em todas as capitais

Os custos da cesta básica subiram nas 27 capitais brasileiras, aponta monitoramento conjunto do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

São Paulo registrou o maior valor médio, de R$ 883,94. Aracaju ficou com a cesta mais barata, em R$ 598,45.

Os alimentos que mais pressionaram o custo foram feijão, batata, tomate, carne bovina e leite, todos em alta. As chuvas nas principais regiões produtoras foram apontadas como fator decisivo para o aumento do feijão, da batata e do tomate. Em sentido oposto, o açúcar caiu em 19 cidades, por excesso de oferta.

As maiores altas percentuais da cesta ocorreram em Manaus (7,42%), Salvador (7,15%), Recife (6,97%), Maceió (6,76%), Belo Horizonte (6,44%), Aracaju (6,32%), Natal (5,99%), Cuiabá (5,62%), João Pessoa (5,53%) e Fortaleza (5,04%).

Em valores nominais, além de São Paulo, destacam-se o Rio de Janeiro (R$ 867,97), Cuiabá (R$ 838,40), Florianópolis (R$ 824,35) e Campo Grande (R$ 805,93). As demais capitais ficaram com médias abaixo de R$ 800.

Com o salário mínimo em R$ 1.621,00, um trabalhador dessas cidades precisaria de aproximadamente 109 horas de trabalho para custear a cesta básica.

Ao comparar o custo da cesta com o salário mínimo líquido (após desconto de 7,5% de Previdência), o comprometimento médio do rendimento foi de 48,12% em março de 2026 nas 27 capitais pesquisadas. Em fevereiro foi 46,13%. Em março de 2025, considerando 17 capitais, o percentual médio era 52,29%.

O tempo médio necessário para adquirir os itens da cesta em março foi de 97 horas e 55 minutos, ante 93 horas e 53 minutos em fevereiro. Em março de 2025, no recorte de 17 capitais, a jornada média foi de 106 horas e 24 minutos.

Na comparação anual limitada a 17 capitais, houve alta em 13 cidades e queda em quatro nos últimos 12 meses. As maiores elevações foram em Aracaju (5,09%), Salvador (4,51%) e Recife (4,38%). As principais reduções ocorreram em Brasília (-4,63%) e Florianópolis (-0,91%). A comparação é restrita porque o Dieese não realiza levantamentos mensais nas capitais de Boa Vista, Cuiabá, Macapá, Maceió, Manaus, Palmas, Porto Velho, Rio Branco, São Luís e Teresina.

Feijão e regime de chuvas
O aumento do preço do feijão foi observado em todas as capitais. O grão preto, pesquisado em municípios da Região Sul, no Rio de Janeiro e em Vitória, subiu entre 1,68% (Curitiba) e 7,17% (Florianópolis). O feijão carioca, coletado nas demais capitais, registrou variações entre 1,86% (Macapá) e 21,48% (Belém).

O levantamento relaciona a alta à restrição de oferta, com dificuldades na colheita, redução de área na primeira safra e expectativa de menor produção na segunda safra. Excesso de chuvas em algumas regiões também provocou atraso nas lavouras e forçou mudanças nas áreas cultivadas.

O feijão carioca chegou a ser cotado em cerca de R$ 350 a saca, com possibilidade de recuo a partir da colheita irrigada entre agosto e outubro. O feijão preto vinha sendo negociado em torno de R$ 200 a R$ 210 a saca, sustentado por estoques das colheitas de 2025, mas a oferta pode ficar mais pressionada pela menor área plantada na segunda safra e pelos impactos das chuvas no Paraná. Há expectativa de inversão de preços em 2026, com feijão preto ficando mais caro que o carioca.

O comércio externo também registrou recuo em 2025, e a Conab estima produção superior a 3 milhões de toneladas para o ciclo, avanço de 0,5% em relação a 2024/2025. O aumento nos custos de fertilizantes e combustíveis ainda não teria sido totalmente repassado ao setor, elevando a incerteza sobre os preços.

Salário mínimo ideal
O Dieese calculou o salário mínimo necessário para suprir as necessidades de uma família de quatro pessoas, tomando como base a cesta mais cara (São Paulo) e os gastos estipulados pela Constituição: alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

Em março, esse valor foi estimado em R$ 7.425,99, equivalente a 4,58 vezes o salário mínimo vigente. Em fevereiro o montante necessário era R$ 7.164,94 (4,42 vezes o piso). Em março de 2025, o mínimo necessário foi calculado em R$ 7.398,94, ou 4,87 vezes o piso da época, que era R$ 1.518,00.

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