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quinta-feira, abril 9, 2026

Pesquisa inédita da Fiocruz aponta caminhos para ampliar a prevenção do HIV entre jovens

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na Bahia lança, nesta sexta-feira (10), em Salvador, um estudo voltado à ampliação da prevenção do HIV entre adolescentes e jovens que vivem em áreas periféricas.

O projeto vai avaliar a profilaxia pré-exposição (PrEP) em pessoas de 15 a 24 anos, com foco em homens gays, travestis e mulheres trans. A PrEP consiste na administração de antirretrovirais antes de possíveis exposições ao vírus, com o objetivo de prevenir a infecção.

O ensaio, chamado PrEP na Comunidade (COmPrEP), será realizado em Salvador e em São Paulo e deve envolver cerca de 1,4 mil participantes. Em Salvador, a coordenação está a cargo de Laio Magno e Inês Dourado, da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Em São Paulo, os coordenadores são Alexandre Granjeiro e Márcia Couto, da Faculdade de Medicina Preventiva da Universidade de São Paulo (USP).

O financiamento provém do National Institutes of Health (NIH), dos Estados Unidos, com desenvolvimento paralelo pela University of Alabama. O estudo também conta com parceria do Ministério da Saúde, secretarias estaduais e municipais e organizações da sociedade civil.

Os pesquisadores destacam que jovens de 15 a 24 anos apresentam maior vulnerabilidade ao HIV e enfrentam barreiras de acesso aos serviços de saúde, sobretudo pessoas da diversidade sexual e de gênero. Dados do Ministério da Saúde apontam que apenas 0,2% das pessoas que usam PrEP no país têm entre 15 e 19 anos, enquanto essa faixa etária registra altas taxas de incidência da infecção.

Para testar formas alternativas de oferta, o estudo vai comparar dois modelos de cuidado. Um deles é o atendimento tradicional em unidades de saúde. O outro prevê a oferta comunitária de PrEP mediada por educadores pares — jovens da própria comunidade treinados e supervisionados por equipe clínica.

O acompanhamento dos participantes terá duração de até 12 meses. Serão avaliados indicadores como início do uso, adesão e permanência na profilaxia. A alocação será feita por sorteio entre o braço de intervenção comunitária e o braço de controle com oferta em serviços de saúde.

Um estudo piloto deve ficar pronto em junho, e o recrutamento em campo está previsto para setembro e outubro. Foram identificados espaços de sociabilidade nos centros de Salvador e de São Paulo onde será realizado o recrutamento. Os resultados finais do COmPrEP estão estimados para 2028.

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