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sábado, abril 11, 2026

Reforma tributária revela desafios para a automação nas empresas

A menos de nove meses da entrada em vigor do IVA dual, a reforma tributária começa a expor fragilidades nas operações fiscais de empresas brasileiras. Processos lentos e dependência de tarefas manuais seguem comuns em muitas companhias, segundo levantamento da V360.

A pesquisa, feita com 355 profissionais de médias e grandes empresas, indica que 62,2% demoram mais de 20 dias para registrar uma nota fiscal no sistema e 22,3% levam mais de 30 dias. Apesar disso, 87% dos respondentes disseram ter alto nível de automação fiscal, apontando uma discrepância entre digitalização e efetiva autonomia dos processos.

O estudo mostra que a automação é ainda incompleta. Embora 61% das empresas capturem notas automaticamente, apenas 49% realizam o registro no sistema sem intervenção humana. Sistemas de gestão empresarial (ERP) exigem integrações e validações adicionais para operar eficientemente no ambiente tributário do país, o que mantém a dependência de ajustes manuais.

Há também falhas nas etapas de validação das notas fiscais. Apenas 48% das empresas confirmam itens, valores e quantidades em comparação com pedidos de compra. Outros 44% realizam checagens parciais e 8% continuam com processos totalmente manuais.

Esse contexto aumenta riscos operacionais, entre eles pagamentos indevidos, erros fiscais e perda de controle interno, especialmente para organizações com grande volume de fornecedores. O acúmulo de exceções e retrabalho tende a crescer quando o registro das notas demora semanas.

A reforma tributária deve intensificar a pressão sobre essas estruturas. Durante o período de transição, as empresas precisarão operar com regras antigas e novas simultaneamente e adequar sistemas para lidar com a cobrança e o destaque em notas fiscais do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), componentes do IVA dual.

Em 2026 a reforma entra em fase de testes, com alíquotas simbólicas previstas de 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS, valores que serão deduzidos dos tributos atuais. A partir de 2027, os cinco tributos sobre o consumo serão progressivamente extintos, enquanto as alíquotas de CBS e IBS serão progressivamente elevadas.

Mesmo com alíquotas iniciais reduzidas, as obrigações acessórias já são exigidas. As empresas devem destacar a CBS e o IBS nas notas fiscais, preencher novos campos obrigatórios e informar corretamente a classificação fiscal de produtos e serviços. Em dezembro, a Receita Federal suspendeu a aplicação de multas por falta de discriminação desses tributos nas notas fiscais até o quarto mês após a regulamentação da CBS e do IBS.

O levantamento da V360 indica que, diante do novo cenário, a automação deixa de ser apenas uma ferramenta operacional e se torna elemento estratégico para reduzir custos e riscos e acelerar a adaptação às mudanças tributárias. Empresas com processos mais integrados e automatizados tendem a enfrentar menos impactos na transição.

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